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December 19, 2016

O Espectro da Donzela

Era uma fria noite de setembro
Em que, caminhando sob a sombra do luar
Em meio ao denso breu entao vislumbro
Uma pálida donzela a vagar;

De doce compleição, porém distante
Possuía a pele alva como a lua
Ora vi sua lamúria  inquietante
Chorava a dama por angústias suas;

Eu ouvi daquela triste alma o pranto
Clamava ela por um amor antigo
A procurar nas sombras acalanto;

E foi-se ela ao despontar da aurora!
Seria uma alma em seu velho jazigo
Recordando tempos de outrora?

by Vane

Imagem de aesthetic, gold, and hipster

Bom final de semana!
Desejo um ótimo final de ano a todos que acompanham esse blog :)
Abraços



April 17, 2016

The Death of Hours - Capítulo III


THE DEATH OF HOURS
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


   A sala do velho chalé estava quase totalmente silenciosa e soturna na tarde em que as duas mulheres aproximaram-se do tabuleiro; Margott sibilou à jovem:

   - Pois bem, criança, o que deseja saber? Mas lembre-se: não poderás perguntar sobre Deus, ou sobre que âmbito se dará sua morte, ou quaisquer dúvidas desta natureza. Temo que seja perigoso!.

   Sybil momentaneamente pensou e refletiu - Afinal, o que perguntaria à finada Constance? As únicas dúvidas que, de fato, estavam a assombrá-la giravam em torno do suposto suicídio de sua mãe. Quais seriam seus reais motivos? Se Constance sofrera em vida, a jovem nunca tivera ciência deste fato – para ela, suas razões em desejar a Morte ainda eram misteriosas.

   - Desejo saber em que circunstâncias de deu a morte de minha mãe.. Os motivos pelos quais ela acabou por findar sua própria vida! – sentenciou.

   As duas posicionaram seus dedos sobre o tabuleiro, e – para o temor e assombro de ambas – o ponteiro começou a mover-se, de modo a estabelecer ligações entre as letras, formando alguma palavra; elas observavam atentamente a palavra sendo formada: um nome!

   “L-E-O-N-A-R-D”

   Leonard! Sybil por ora não havia compreendido como seu pai poderia ter sido o responsável por tal fatal acontecimento – A menos que ele fosse um individuo cuja natureza era vil – Mas como poderia Sybil ter este pensamento sobre ele? Ou será que o mesmo possuía um lado cruel, uma faceta que ainda lhe era desconhecida? E como, afinal, ele teria sido o responsável pela morte de Constance? Ante a todos estas dúvidas, a jovem sucumbiu a um profundo estado de medo e inquietude; seu corpo estremecia, e seus olhos tornaram-se marejados de lágrimas. Margott, ao ver tal aflição da sobrinha, suplicou-lhe:

   - Acalme-se, Sybil! Ou o pior ainda estará por vir. Devemos ter demasiado cuidado com..

   De repente, o tabuleiro iniciou a recitação do alfabeto de trás para frente; Margott, assombrada, alertou Sybil:

   - Rápido! Afaste seus dedos, ou o espírito irá escapar do tabuleiro!!

   Sybil, rapidamente os afastou. Com suas respirações aceleradas e em estado de pânico pelo que se deu a momentos atrás, olharam novamente o tabuleiro. A atividade paranormal que previamente ocorria nele havia cessado, e ambas ora suspiravam aliviadas. 


-

   Posteriormente veio à tona o fato de que Leonard havia assassinado Constance; isto foi descoberto por meio de uma investigação feita após sua Morte, quando fora encontrado enforcado em seu quarto no longínquo sanatório inglês. Fora descoberto que o infeliz homem estivera corrompido por um desejo de cobiça cada vez maior, o que acarretou no assassinato da esposa – havia muito tempo que não nutria mais nenhum afeto por ela, e na época que tais fatídicos acontecimentos se sucederam, ambos travavam pela separação, porém Leonard desejava todos os bens que a mulher possuía para si. Como já previamente relatado, conseguiu o que almejava, entretanto o assassinato o levara a um estado de insanidade: antes de ser confinado e afastado da filha, dizia-se ele assombrado pelo espectro de sua ex-mulher!

   Sybil mal poderia suportar a angústia que a acometeu, ante a tais fatos revelados; porém Margott, velha mulher que muito entendia a respeito da vil natureza humana e sobretudo da morte, ajudou-a a não sucumbir à tristeza que tais revelações ocasionaram. A velha senhora acolheu-a para morar definitivamente no chalé, no qual retomaram suas vidas depois de alguns anos.


-

   Margott e Sybil foram vistas no conhecido cemitério de Highgate, em Londres, a depositar rosas sobre o túmulo de Constance Hale. 
   Depois o contemplaram por algum tempo; pareciam completamente absortas em reflexões e memórias.
   Os demais túmulos estavam cobertos com relva que cresciam em torno; o de Leonard, que ali jazia um pouco mais afastado do túmulo de Constance, ainda estava nu; era o mais recente daquele lugar.

   Parafraseando Emiy Brontë, em seus famoso romance O Morro dos Ventos Uivantes:
 “(...) sob aquele céu tão suave, olhando as mariposas que volitavam por entre as urzes e as campânulas, escutando a brisa ligeira que agitava a relva, (...) como poderia alguém imaginar que tivessem um sono perturbado aqueles que dormiam naquela terra tranquila?”


FIM
by Vane



Hoje finalmente publico o último capítulo de The Death of Hours! Os links para os capítulos anteriores estão inseridos no início do post.

Sejam livres para deixarem aqui suas críticas, opiniões e sugestões :)

Uma boa semana a todos!

March 12, 2016

The Death of Hours - Capítulo II


THE DEATH OF HOURS
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


   Era uma gélida e nevoenta manhã de outono, quando a Sybil partiria, possivelmente para um destino sem retorno. Destino este que visava melhoras, porém a jovem não possuía boas expectativas em relação ao mesmo.. Seu coração ainda era assombrado por vis dúvidas e incertezas; naquele dia em especial instalara-se em seu semblante um estado de profunda melancolia. 

   De repente, o rosto de Constance Hale apareceu em sua mente, como uma furtiva memória.
   Sybil desejou sua presença, a questionar a si mesma se ora sua mãe estava em um lugar melhor, a ter seu merecido descanso; ou talvez se seu espírito ainda padecia das mundanas dores, e ainda, - pobre d’ela! – ainda não encontrara paz.
   Lúgubres indagações lhe vinham à mente, tal como pensamentos dispersos e distantes que de repente vinham à tona.

   “Seria o sofrimento uma prova de que estamos vivos?”

   Em seguida, pensou brevemente em seu pai, o infeliz Leonard. O que seria dele? Sybil lamentou sua infeliz sorte, tentando evitar a possível resposta a tal questionamento, uma vez que esta não parecia muito promitente. 

   Assim, ainda envolva a tais reflexões, a jovem tomou o navio que a levaria a seu longínquo destino, ao encontro de sua parente mais próxima, que estava a morar no norte da Irlanda; a viagem transcorrera sem transtorno algum. Porém.. Pobre Sybil! Sua solidão deixava-a num estado cada vez mais distante. Poderia passar tardes inteiras absorta em leituras, ou com o olhar perdido no mar, no balanço frenético das ondas, a perder-se em pensamentos.

   Logo estava a chegar em seu destino: Margott Hale morava em um casebre de aparência rústica e peculiar, num local um tanto isolado do restante da cidade. 
   Sem duvida não parecia um ambiente muito acolhedor: tal recinto passaria a impressão de ser um local abandonado, se não houvesse um jardim e uma pequena horta razoavelmente cultivada. 
   Ao avistar a jovem, aquela mulher de longos cabelos grisalhos e feições desgastadas pelo tempo acolheu-a afavelmente; Sybil teve uma boa impressão de sua tia, mesmo que não poderia-se dizer que ela houvesse tido a mesma impressão em relação ao lugar aonde ora se encontrava. 

   Ao adentrar e conhecer melhor os aposentos daquela humilde morada, Sybil intrigou-se com o que lá viu: tarôs, incensos, velas, e demais objetos esotéricos cuja natureza para ela ainda era desconhecida, mas que a deixaram estranhamente fascinada. 

   Assim, não pode deixar de questionar Margott a respeito dos mesmos, ao que ela respondeu:
   - Minha cara, já que estarás a morar comigo por tempo indefinido, não vejo o porque de guardarmos segredos uma com a outra. Veja! Através destas cartas, destes instrumentos – ia dizendo, ao apontar ao apontar cartas e livros antigos, que a jovem deduziu que tratavam de ocultismo e temas similares -, eu entro em contato com a nobre arte da quiromancia,.. Tudo o que é sobrenatural me fascina! – sibilou ela, mais baixo, para Sybil. Esta se identificou imediatamente com a tia, desse modo sentindo-se mais próxima dela. 

   - E este.. – disse ela, ao apontar um tabuleiro Ouija – Serve para comunicarmo-nos com o Além. Veja bem, eu o usei poucas vezes, mas é sempre intrigante ouvir o que os mortos tem a dizer. 
   Era já tarde da noite; Sybil observou o tabuleiro à luz do candelabro, estando a tremulante luz das velas a revelar o objeto. Aquele estranho artefato provocou sensações estranhas nela; e em um misto de curiosidade e assombro, um nome veio a sua mente.

   Constance.

   De imediato questionou Margott se poderia algum dia tentar realizar algum contato com sua finada mãe. 
   A reação imediata de sua tia fora de espanto e ressalva, mas, tomada pela insistência da sobrinha, posteriormente acabou por concordar; afinal compreendia tão bem o que era sentir ardosamente falta de entes queridos que não mais viviam; a velha senhora, antes da chegada de Sybil, vivia só.



(continua)

by Vane

February 17, 2016

Fleurs du Mal

Minh'alma silencia o alegre canto
Que outrora em mim esteve  tanto a soar;
Meu espírito ora cobre-se num manto
Das  reais belezas tua alma a ocultar.

Flores do mal em mim desabrocharam,
E nelas impregnada um vil perfume.
Teus ramos, cruelmente despertaram
E envolvem-me num gélido negrume..

Flores do mal que assombram meus caminhos
Sois memórias que já despertaram;
Ora estão a ferir-me teus espinhos,

Tal que figura minhas antigas dores
Que em meu espirito se alojaram,
Jardins de amaldiçoadas e reais flores?

by Vane




January 23, 2016

The Death of Hours - Capítulo I

Ainda com o objetivo de ir melhorando minha escrita e também não ficar muito tempo sem escrever, hoje posto o primeiro capítulo de um conto que comecei a escrever há alguns dias, The Death of Hours.
Em breve postarei mais dois capítulos! :)


THE DEATH OF HOURS
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


   Observo de longe, através de carvalhos e ciprestes, quase completamente ocultas entre a relva e a hera que cresciam por toda parte as velhas ruínas da mansão da que outrora pertencera à família Hale.

   Família esta que teve seus dias de glória, mas após a morte de Constance Hale e a total perda da sanidade de Leonard Hale, afundou-se de tal modo que ora o nome dos Hale não passa de uma memória. 
   A historia que lhes narrarei sem dúvida parece uma obra de ficção de minha mente, pois rompe a tênue linha que separa a Vida e a Morte, e trata dos sofrimentos inerentes a ambos. A Morte é realmente o fim? Depois dos fatos que presenciei, sentencio que não! Porém, nem mesmo no fim de suas vidas, algumas pobres almas encontram, afinal, a paz.. 

   Os infortunos acontecimentos que ora assombram minha memória datam de uma época muito longínqua.. Tudo se passara no ano de 1852, na Londres da época vitoriana.

   Muito tempo se passara desde então.


-


   Naquela grandiosa mansão havia uma atmosfera que poderia ser descrita como fúnebre; os salões que outrora eram alegres e iluminados, ora eram escurecidos.
   Um silêncio sepulcral e absoluto pairava sobre quase todos os cômodos.
   Constance Hale falecera recentemente, e sua essência ainda parecia permanecer naquela mansão.
   Seu perfume parecia exalar em todo lugar, e isso aparentemente levara o viúvo Leonard a um estado de profunda melancolia e reclusão.

   Leonard passava dias em seu quarto de dormir, lamuriando-se, segundo o próprio, “Pelos erros que cometeu”.
   Era fato conhecido que a morte de Constance havia sido por suicídio; ao menos assim parecia ter ocorrido. Porém Leonard parecia se culpar por este fatal acontecimento, e aos poucos acabou sucumbindo à dor da perda; sua saúde começou a deteriora-se.

   O casal tivera uma filha, Sybil Hale; esta acabara de completar 17 anos. Era uma jovem de semblante amável, e era bela - muito parecida com Constance. Após a morte da mãe, sua face adquiriu uma constante expressão taciturna e sombria.
   Estando Sybil também estava profundamente perturbada por tal ocorrido, também deixava a perda corroê-la lentamente.

   A mansão, depois dos fatos previamente relatados, tinha poucos criados; e raramente as portas e janelas eram abertas, estando o ambiente sempre mal iluminado e lúgubre.

   A morada daquela família, tal como no célebre conto A Queda da Casa de Usher, de Poe, começou a adquirir o aspecto sombrio de seus donos, e entrar em decadência e ruína. 

   Com o passar de alguns meses desde a morte de Constance, e após tanto tempo de isolamento,  Leonard encontrava-se fora de si; comportava-se de forma insana, a lamuriar e bravejar coisas desprovidas de sentido. Dizia-se assombrado pelo espectro de sua falecida esposa, e nas raras ocasiões que fora visto fora da velha mansão, estava no cemitério onde jazia Constance, a profanar seu túmulo a falar com o vazio, proferindo palavras incompreensíveis.
   Apresentou-se como uma ameaça aqueles que moravam perto da mansão Hale, que julgaram-no louco e internaram-no em um sanatório da região, afastando-o da filha.

   Sybil, por sua vez, mesmo abalada com a morte de Constance, manteve-se sã. Fora decidido que seria mais seguro que a jovem, para não ter o triste fim de Leonard vivendo isolada naquela mansão, fosse morar com um parente próximo. 
   Logo se mudaria para viver com sua velha tia Margott, a única parente viva que ainda possuía e preservava suas faculdades mentais.  

   Preparando-se para a mudança, Sybil despedia-se, com os olhos marejados de lágrimas, daquele cenário ora lúgubre, mas que já fora onde passou anos felizes com Constance e o pai.
Naquele momento as boas lembranças lentamente se desfaziam, como cinzas espalhadas ao vento.

   “Afinal, o que os novos ventos do destino me trarão?” 


(continua)

by Vane


E este foi o primeiro capítulo.. deixem suas opiniões, críticas e sugestões!
Um excelente fim de semana a todos.

p.s.: O título do conto é baseado na música homônima do Draconian.

December 1, 2015

A Witch's Tale - Capítulo III


A WITCH'S TALE
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


   - Minhas caras – sibilara Erzsébet, indiferente a mim, tal como se não houvesse notado minha presença – É chegada a hora..
Seu rosto estava banhado pela luz do luar.

   - Lucy, – eu supliquei a ela – o que significa isto tudo?
Tentei tomá-la em meus braços, - em vão - e levá-la comigo para longe daquela escurecida floresta.

   Minha esposa lançou-me um olhar profundamente cruel, e de forma violenta livrou-se de meu abraço. Balbuciou inicialmente algo que não compreendi.. mas aos poucos foi capaz de sibilar-me que e que agora seu lugar era junto àquelas feiticeiras. Mas parecia não haver sinceridade em suas palavras frias, em seu olhar lúgubre e vazio.

   Eu gritara a minha Lucy que tudo quilo era um grande absurdo, e em resposta recebi uma grande pontada de dor – era Sarah, que havia investido um violento murro contra minha cabeça.

   A partir daí, perdi meus sentidos.
Quanto despertara, estava ainda na floresta com as irmãs, mas fora amarrado em um tronco de árvore próximo a clareira onde elas se encontravam.
Amanhecia - os primeiros raios da aurora despontavam suavemente no horizonte.
Eu avistei as irmãs e minha Lucy – elas, ao verem que eu recobrara os sentidos, vieram até mim e forçaram-me a beber uma bebida misteriosa.

   Ante aos primeiros goles, senti a piores sensações possíveis – culpas, amarguras, remorsos passados.. tudo aquilo estava a fervilhar em minha cabeça, em meio a um grande emaranhado de lembranças e memórias..

   As irmãs disseram que conseguiam ver através de minha alma – conseguiram ver como através de meus olhos meus piores pecados, traições, meus maus desejos.. bem como as almas infelizes que eu havia prejudicado durante minha vida.

   Sim, irmã! Agora parece-me o momento propício para lhe confessar sobre minha natureza vil! Minha alma é desgraçada e naturalmente corrupta, manchada de crimes passados que eu acumulara durante toda a minha deturpada vida.
No entanto, Lucy sempre fora minha redenção – eu a amava, apesar de tudo, e isto fazia-me um homem melhor, creio eu.

   E tudo aquilo, sei que as irmãs conseguiram captar em mim, através daquela misteriosa feitiçaria. Sei que este relato parece fruto de uma mente insana, mas novamente ei de lhe confirmar, irmã: eu sei o que vi!

   Sarah então desatou as cordas que me prendiam.

   Em seguida, eu caminhara até Lucy, com os mais pesados sentimentos a demolir minha alma.
Ela sem dúvida não era a mesma, algo havia mudado em seus olhos, em seu semblante que outrora fora plenamente amável, e ora estava taciturno e sombrio.

   Seus olhar denotava absoluta fúria.
E tudo o que ocorreu em seguida, cara irmã, fora tão rápido, e mal posso crer que realmente aconteceu!
   Lucy investiu um punhal contra o dorso de minha barriga; sua força agora era sobrenaturalmente maior, de modo que assustou-me em demasia. O golpe, apesar de brutalmente desferido, não havia-me sido fatal.

   Então, sem pensar, - em um momento de total insanidade e descontrole - saquei minha adaga e cravei-a em seu coração!
Lucy gritara de dor.
Seu corpo desabou, inerte, ante a meus pés.

   Ao ver o que acabara de fazer, eu desatara em lagrimas.
Minhas mãos estavam manchadas de sangue – “O sangue de minha amada!” – Estremeci.
Deitei-me, juntamente a Lucy, no chão.
Segurei seu mão sem vida, encarei seu olhar vidrado – e não, eu não podia crer no que acabara de fazer.

   Olhei para as irmãs. Elas pareciam quase que indiferentes quanto ao ocorrido.
Então foram caminhando através da névoa da madrugada, até se desvanecerem completamente através do horizonte..
Eu as observava de longe as três silhuetas se afastando..
Logo, as lado delas, observei que as poucos foi surgindo uma quarta, a acompanhá-las.
Bem, depois de tudo o que vi até então, por que não acreditaria em fatos de natureza sobrenatural? Por que não acreditaria que esta quarta silhueta que eu avistei ao longe era o espectro de minha pobre Lucy?

   E eu continuava deitado com seu corpo absolutamente imóvel. Segurei-a em meus braços, ainda a chorar amargamente.

   Minha cara irmã, agora sabe que sou um homem condenado, nada mais que um assassino.
De modo algum me procure!
Estarei a vagar, errante, por estas terras nefastas, a procurar por redenção.. embora sei que nunca perdoarei-me pelo que fiz, e minha alma jamais encontrará paz novamente.

   Sim! Continuarei a vagar por estas terras por tempo indeterminado, com meu espírito envolvo no mais absoluto desalento.. Nestas terras onde, nos tempos remotos, as pessoas acreditavam em bruxas.


De seu afetuoso irmão, 
Willian Blanchard


FIM
by Vane


E hoje finalmente publico a última parte de A Witch's Tale, conto que comecei a muitas semanas atrás, e enfim encontrei algum tempo para finalizá-lo. Os links para os capítulos anteriores estão inseridos no início do post. :)

Lembrando que o conto é baseado nesta maravilhosa música.

Uma boa semana a todos!



September 8, 2015

A Witch's Tale - Capítulo II


A WITCH'S TALE
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


Para Lady Blanchard, Inglaterra
02 de Novembro de 1891

   Cara irmã, temo ter más notícias a lhe relatar.
Sou um homem condenado! Acabo de descobrir minha brutal natureza, que veio a mim mesmo surpreender.

   O que lhe contarei agora, com grande pesar, a fará talvez compreender os atos terríveis que cometi em meu último dia de estadia na tempestuosa Salém.

   Como deve recordar-se, eu havia prometido a mim mesmo enfrentar as mulheres misteriosas que ofereceram uma bebida suspeita a minha Lucy, e assim o fiz; enquanto minha mulher jazia doente em sua cama, parti, armado com uma adaga - afinal eu não sabia exatamente a natureza daquelas estranhas com as quais estava lidando. 

   Então, na manhã que se sucedeu aos fatos que marcaram minha chegada a esta cidade, despertei decidido a me reencontrar com elas, e lividamente caminhei em direção ao local onde tudo ocorrera naquele dia. Encontrei o local com a porta aberta, e adentrei-o; mas aparentemente estava vazio.. Chamei-as, mas não obtive resposta.

   Logo atrás da velha moradia das irmãs, avistei  um jardim, pequeno e dotado de uma beleza singular, bonito e soturno; pequenos animais viviam lá, entre as sombras de plantas exóticas e belas, bem como dos frutos e flores silvestres, e da a hera que crescia irregular por todos os lados.

   Ao sentir o docílimo perfume que vinha dali, comecei a sentir uma certa tontura, e tudo  aminha volta havia mudado: o pequeno jardim permanecia lá, mas agora eu não mais estava no cenário inicial, nas ruas de Salém; era noite, e ora encontrava-me em uma floresta escurecida.. Creio que, quase sem perceber, tal como em meio a um devaneio eu havia caminhado em direção a tal floresta que ora me encontrava. Já era noite, e a única luz que me guiava provinha de um pálido luar, que se estendia sobre as árvores e todo o caminho a minha frente, quase que completamente enegrecido pelas sombras.

   Sim, irmã! Sei que, ao ler este relato, certamente está a duvidar de minha sanidade, mas posso lhe jurar que tudo o que estou a lhe relatar fora real.. Eu sei o que vi!

   Ao caminhar pelo bosque, apavorado – naturalmente, como qualquer um estaria em tal situação -, e logo avistei de longe uma clareira entre as arvores, em meio ao breu da floresta.. A luz provinha de uma fogueira que fora acendida. Ao redor dela, vi os vultos de quatro figuras dançarem.

   Aquela visão encheu-me e pavor, de modo que não permitiria, de modo algum, que tais criaturas me vissem; assim fui me aproximando sorrateiramente, me escondendo atrás das árvores, para que elas não pudessem perceber minha presença. 

   Em dado momento eu havia chegado realmente perto, e pude perceber quem eram: as três mulheres, e dentre elas também estava minha Lucy! Aquilo fora um grande sobressalto, e o medo havia tomado conta de mim. 

   No instante seguinte, elas cessaram a dança, e olharam fixamente na direção na qual eu me encontrava.
   Sarah sorriu – e em seu sorriso, tinha algo de maligno.

   - Revele-se! – bradou ela – Quem quer que seja!
   Agora, a certeza que elas haviam notado minha presença era absoluta.

   Ainda temeroso, senti um pequeno alívio ao me certificar que minha afiada adaga ainda encontrava-se em meu bolso. Em seguida, tomado por uma súbita coragem, deixei meu esconderijo entre as árvores e apresentei-me as irmãs.
   Lucy encarou-me; não parecia estar surpresa, a propósito não demonstrara reação alguma.

   Algo em seus olhos havia mudado.


(continua...)


by Vane

July 10, 2015

A Witch's Tale - Capítulo I

Hoje postarei aqui o primeiro capítulo de um conto que comecei a escrever a alguns dias.. Estou escrevendo com o intuito de esmerar minha escrita, mesmo objetivo do outro conto que outrora publiquei aqui. Como puderam perceber pelo título, a temática fará referência a bruxas e ao ocultismo (embora meu conhecimento sobre este último não seja tão extenso..)
Pretendo em breve escrever mais dois capítulos. :)


A WITCH'S TALE
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


Para Lady Blanchard, Inglaterra
31 de Outubro de 1891

   Cara irmã, venho por esta carta relatar as desventuras pelas quais passei em minha última semana de estadia no tempestuoso Condado de Essex.
   Minha curta passagem por estas terras americanas foram, devo dizer, marcadas por coisas que arrepiaram-me até a alma!
   Hoje cheguei na cidade de Salém, e devo dizer que minha primeira impressão de tal localidade havia sido a mais funesta possível, por conta dos acontecimentos que marcaram minha chegada à mesma.

   Eu e Lucy havíamos nos hospedado em um hotel cujo aspecto não era dos mais agradáveis, mas infelizmente era o único alojamento que conseguimos pagar com nossas parcas economias.
   Devo confessar, cara irmã, que não tinha o mesmo otimismo de Lucy em relação à tudo. Em meu coração havia insegurança embora tudo estivesse aparentemente bem, e meu sexto sentido dizia-me que devia me afastar deste local submerso a cinzas e silêncio.

   Eis o sinistro acontecimento que marcou nosso primeiro dia aqui: estávamos a caminhar através das nevoentas vielas quase desertas do vilarejo, objetivando encontrar alguém que pudesse dar-nos mais informações sobre o local, quando deparamos, através da névoa, com uma jovem mulher trajando vestes negras que circundava um velho chalé; como até então não havíamos encontrado ninguém, a não ser a velha senhora dona do hotel e sua camareira, resolvemos ter com ela, mesmo que em seu semblante não houvesse nada de convidativo.

   Então fomos nos aproximando, embora a densa névoa turvasse nossas visões; conforme avançávamos, percebemos que o chalé ia adquirindo um aspecto diferente, mais escurecido e funesto.

   - Não se aproximem, é magia negra... é uma ilusão! – Gritou-nos a dona do hotel, de sua janela. Eu ri, certo de que o isolamento naquela tempestuosa e quase deserta cidade havia lhe afetado a cabeça. E prosseguimos.

   Chegamos àquela velha morada, e fomos recebidos pela jovem que havíamos avistado. Ao adentrar o local, demos pela presença de mais duas mulheres, um tanto mais velhas que a primeira; a casa, apesar de rústica, era muito apresentável: o fogo ardia numa grande lareira, e a mesa havia sido colocada. Serviram-nos uma bebida com um gosto um tanto peculiar.

   - Sejam bem-vindos a nosso lar!  - disse a mais velha delas, que havia se apresentado como Erzsébet. As três mulheres eram irmãs, e possuím idades distintas; eram de compleições medianas, e tinham suas peles muito pálidas. A mais jovem, Agnes, era delicada e um tanto franzina. A outra irmã chamava-se Sarah, e era a mais bela das três.  

   O diálogo que se seguiu, infelizmente não poderei narrar em detalhes, pois não consigo lembrar, em razão de um fato muito estranho que seguiu-se: eu e Lucy entramos em uma espécie de transe, e, enquanto ouvíamos as estridentes gargalhadas das três mulheres, perdemos nossos sentidos, e tudo ao nosso redor havia tornado-se escuro aos poucos...
   Despertamos no quarto que estávamos alojados no antigo hotel, e naquele momento havíamos ficado realmente em dúvida se os acontecimentos do dia anterior realmente haviam acontecido, ou não.
   Mas não tivemos mais dúvidas que que tudo fora real quando a camareira entrou no quarto muito aflita, a dizer-nos:
   - Caro Lord Blanchard! Encontrei o senhor e senhora sua esposa num estado deplorável, em meio ao breu da noite! Tratei logo de trazê-los para dentro. O que houve? – E diante de tal interrogativa, não pude respondê-la, de tal forma confuso que estava.

   Eu sinto-me bastante lúcido, mas Lucy parece ter entrado em um profundo devaneio, e diz que vê demônios dançarem ante a seus olhos. 
   - É bruxaria – ela chora. – Aquela bebida...
   Minha esposa parece estar ficando seriamente enferma, e perdendo aos poucos a sanidade. Há cerca de alguns dias atrás, caiu de febre e está a lamuriar coisas sem sentido. Em meio a tal situação: tomei a decisão drástica de revisitar as estranhas mulheres que julgo culpadas pelo péssimo estado de Lucy. 

   Em breve, minha irmã, volto a lhe escrever, relatando se obtive sucesso em minha missão!


De seu afetuoso irmão, 
Willian Blanchard



by Vane


E este foi o primeiro capítulo.. deixem suas opiniões, críticas e sugestões! Em breve postarei o próximo capítulo.
p.s.: O conto é baseado na música Ballad of the Weird Sisters da banda Blood Ceremony.


June 5, 2015

A Uma Rosa

“In the meadow of sinful thoughts, every flower's a perfect one” 
- Nightwish



Ó doce cálice de singela beleza,
Cujas pétalas de rubro veludo, cálidas pendem 
E que a mais suave brisa faz vibrar tal pureza
Que teu caule suspende,

Rosa dos meus sonhos, que ora murchais
Tu foras colhida ainda muito viçosa,
Mesmo que teu encanto, dia após dia se esvai
Em minha lembrança ainda és majestosa.

Ó rosa que em mim germinou e cresceu!
Tu simbolizas meu mais rubro amor,
Que em meu coração outrora floresceu,

Teu encanto e beleza, o tempo fenece;
Mas outrora resplandecera com ardor,
E assim, em minha memória permanece.

by Vane






May 4, 2015

Ao Poeta

Ó Poeta! Acaso teus versos escreves,
Com o intuito de tua alma se elevar.
Mesmo quando tuas dores em versos descreves,
Para que tuas palavras o venham acalentar?

Em versos eterniza teus cantos
A elevar as belezas mais singelas:
Porventura o mundo não deturpou tais encantos
Que provém das coisas clamadas belas?

Não calas, Poeta, perante o enleio
Das dores que a vida consome-nos,
Fazendo teu canto gelar-te em teu seio?

Ó Poeta! Acaso toda esta tua dor
Converter-se-á em belíssimos versos
Escritos com lágrimas de amor?

by Vane

Imagem de rose and book


Minha sutil homenagem à Poesia, uma das mais belas expressões de Arte, em minha opinião..

Uma boa semana a todos!
Abraços

April 2, 2015

In my darkest dreams II

Meu doce amor, como poderia esquecer
De sua voz tão suave ressonando ao vento
Afastando-me das trevas e do desalento,
Tal como o sol anunciando um novo amanhecer?

Em ti, tal acalento pude encontrar,
Assim despertando de meus sonhos mais obscuros,
E afastando meus pesares taciturnos e escuros,
Os quais estavam minh'alma a desolar.

Tal como sonhos que se esvaem ao alvorecer da aurora,
Assim se desvaneceram minhas sombras de outrora;
Hei de os mistérios do Amor desvendar,

Isto que une nossos espíritos em plenitude,
Um sentimento tão belo, a mais tenra humana virtude
Que para uma verdadeira vida, faz-nos despertar.

by Vane

Imagem de flowers, dark, and grunge

 Esse poema é uma releitura do primeiro poema que publiquei aqui (em 2012), que leva o mesmo nome de meu blog, 'In my darkest dreams'.
 Bom feriado a todos! Abraços..   




February 28, 2015

Vampire Heart - Capítulo III

VAMPIRE HEART
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


    - Estava em seu aguardo, Vincent – disse-me ela, estendendo em minha direção um cálice que continha um líquido vermelho escuro.

   Tentei recuar, mas algo que nela havia fez-me aceitar o que me oferecia.. Seus olhos me enfeitiçavam. 


   Bebi um gole daquela substância. Ela continuou:

   - Sim, seu pesadelo fora real! Bem-vindo ao meu reino, ao qual você há de adentrar agora.

   Naquele instante, não consegui me mover: meus movimentos estavam paralisados. Ela aproximou-se, fitando-me profundamente; e como um animal selvagem, ela então me atacou, dilacerando-me ainda mais de como fizera antes. Senti uma agonizante dor, e logo em seguida uma onda de calor percorreu meu corpo. Era seu sangue, sua essência da qual eu havia provado e ora jorrava também em mim. 


   Em seguida, uma estarrecedora sede invadiu-me; sem pensar, apoderei-me do corpo de Élise, com o cálido ardor de um amante; e então comecei a sugar seu sangue.


   Meus sentidos se confundiram completamente.. Uma agonia vital e estranha veio a mim. Uma vez que minha sede estava saciada, tudo à minha volta volveu-se em trevas. O que viera a seguir era foi a Morte, a consumir-me, porém, sem findar minha essência: ainda não era o fim.


   Após de tal forma morrer, acordei no interior de uma cripta oculta no interior daquela gélida montanha. Mesmo estando morto, uma centelha de vida corria por minhas veias! 


   - O que, afinal, tornei-me? – indaguei.


   Posteriormente, Élise veio a esclarecer minhas aterradoras dúvidas, e finalmente compreendi minha nova essência. Ela não me explicara com clareza os motivos pelos quais havia arrebatado minha vida humana, para depois conceder-me tal existência eterna, mas depois compreendi que ela vinha observando-me há tempos, fascinada por minha natureza consciente e indagadora – eu era como uma alma viva entre uma multidão de almas mortas, - segundo ela, - e por tal razão, assim eu devia permanecer para todo o sempre: vivo! 


   Dessa forma, com seu auxílio, através das primeiras décadas de minha imortalidade pude compreender mais profundamente a natureza humana: todas as suas virtudes, bem como seus vícios. Algumas coisas deixavam-me perplexo, e outras, por um breve período, me fascinaram em sua plenitude.

   Minha observação concentrou-se, sobretudo, em torno das raízes do mal -  veneno impregnado desde os primórdios em todo espírito humano, o qual, desde então, eu vinha buscando compreender. 

   Em dado momento, quando adquiri finalmente consciência de minha própria natureza, horrorizei-me; então meu ódio voltou-se contra minha criadora, Élise. Cego por tal ódio mortal, eu abandonei-a; desde então, tenho vivido só através das décadas que vieram a seguir, apenas em companhia de meus taciturnos pensamentos e memórias.



- 

   Ora contemplo meu relato, absorto em meio às mais amargas reflexões; como havia contado previamente, através do tempo observei mais profundamente a Humanidade e adquiri uma grande aversão à mesma. Mas, por ironia do destino, meu ódio voltou-se para mim mesmo com maior intensidade. Sim! Quando afinal dei-me conta plenamente de minha monstruosidade, horrorizei-me para com minha própria vil natureza.


   Uma vez terminado de relatar-lhe minhas memórias, eu as confinarei a um lugar onde espero que minha cara Élise encontrará.. 

   E assim compreenda os motivos pelos quais decidi findar a centelha de vida que faz-me permanecer vivo.

   Agora que estou a terminar minha história, caro leitor, pretendo ir ao encontro da Morte - e desta vez, a Morte definitiva, que concede-nos o sono eterno - , cravando uma adaga em meu próprio coração, pois o mesmo ora é vazio, e incapaz de sentir qualquer coisa, senão repulsa por mim mesmo. 

   Aqui deixo minhas memórias, escritas com sangue, elixir da vida de uma vil criatura que teme sua própria existência.


FIM
by Vane



 E assim eu termino o meu primeiro conto! 
 Talvez ele tenha deixado um pouco a desejar por eu não ter muita experiência em escrever contos..  Mas de qualquer forma assim eu vou melhorando minha escrita aos poucos, conforme eu disse no post do capítulo I.
 p.s.: Links para os capítulos anteriores: aqui e aqui.

 Agradeço aos que acompanharam :)
 Abraços

February 19, 2015

Vampire Heart - Capítulo II

VAMPIRE HEART
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


The Velvet Cartel // Austin, TX www.velvetcartel.com
   Devo continuar o relato de como tornei-me a criatura que hoje sou.

   Como o leitor deve recordar-se, eu havia despertado subitamente sob um chão completamente ensanguentado; ao levantar-me cambaleando, percebi que estava dentro da grande catedral de Barcelona. A mesma havia adquirido um aspecto taciturno e sombrio, de tal forma que eu nunca vira antes. Havia pouquíssima luz, e apenas o que eu enxergava com clareza era o sangue, que jorrava abundantemente de um grande crucifixo que se encontrava à minha frente. As imagens dos santos choravam sangue, e todo o local se encobria lentamente de vermelho vivo. 

   Eu fraquejava de dor.. logo percebi que esta vinha duas marcas profundas em meu pescoço. Apesar de uma parte de mim acreditar que tudo aquilo era fruto de minha imaginação, encontrava-me em um estado de pânico, de modo que corri desesperadamente dali, e o portal da catedral então fechara-se em um fortíssimo estrondo.

   Uma vez aparentemente liberto de meu terrível devaneio, e encontrando-me do lado de fora daquele local escurecido onde estivera, percebi que acabara de amanhecer e os primeiros raios de sol despontavam no horizonte. Tal luz parecia cegar-me , então refugiei-me em um local onde haviam sombras. Recordando o vil pesadelo da noite passada, senti-me aliviado por aquilo ter acabado.



   Mas tive um grande calafrio ao sentir dor e dar-me conta de que as marcas em meu pescoço ainda estavam lá! Ele havia sido dilacerado, e eu sentia uma grande sensação de fraqueza e cansaço. Certamente eu perdera muito sangue.. assombrei-me com a possibilidade de os    Retornando ao local de meus pesadelos, constatei que lá estava tudo perfeitamente normal: o interior da catedral estava amplamente iluminado , sem resquícios de sangue no chão, e não havia quaisquer elemento que indiciava e veracidade do que havia se passado comigo na noite anterior. Algumas pessoas entraram no local, e fitavam-me com uma dose de desconfiança e estranhamento estampados em seus olhares. Logo apressei-me em sair de lá.. e não havia dúvida para mim, naquele momento, a loucura, vagarosamente, estava começando a entorpecer-me.

   Passaram-se muitos dias deste os fatos que acabo de lhes relatar, e desde então, em algumas fatídicas noites, eu a vi em meus sonhos – a sombria dama que levara consigo minha sanidade, julgara eu.
   Em tais visões, ela havia me dito que chamava-se Élise, e que eu deveria encontrá-la na encosta de uma certa montanha localizada na longínqua província de Vizcaya, no norte da Espanha, a fim de revelar-me um vil segredo.
Tomado por uma súbita coragem tomei a decisão de encontrá-la, decidido a desvendar, afinal, os acontecimentos sobrenaturais que haviam acontecido naquela noite. Embora estivesse - em partes - descrente que tais fatos possuíam algum vínculo com a realidade, desejava saber como haviam ocorrido, e por quais razões.

   O Inverno havia chegado de forma rigorosa, e as ruas estavam torrencialmente cobertas de neve.
   Dois dias depois dos acontecimentos previamente relatados, decidi-me a encontrar Élise - se é que ela de fato existia.
   Conforme a decisão tomada, viajei em direção ao local combinado.
   Ao chegar na encosta da montanha, havia bastante neve, e deparei-me com um rastro de sangue no chão que impulsivamente comecei a seguir, até que cheguei a um lugar um tanto oculto por uma grande camada de neve, e que parecia-se com uma caverna. Lá estava bastante escuro, mas resolvi arriscar: adentrei o local.

   Enxerguei dois olhos que sombriamente fitavam-me na escuridão; a entidade sobrenatural estava à minha espera..


by Vane


January 30, 2015

Vampire Heart - Capítulo I


Há alguns dias atrás decidi dedicar-me a escrever um conto, com a finalidade de treinar minha escrita e melhorá-la com o tempo. Hoje postarei aqui o primeiro capítulo (e pretendo escrever mais dois); a temática abordada, como já puderam perceber pelo título, é sobre vampiros. Espero que gostem :)


VAMPIRE HEART
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


Hoping through the wonders of makeup and contacts I can do my eyes like this for Halloween. #creepy
   Cá estou eu novamente, a consumir as intermináveis horas de meu dia em meio a pensamentos lúgubres e envenenados por angústias passadas. A Eternidade se estende à minha frente, tal como se o Tempo houvesse se paralisado apenas para mim; através das últimas décadas de minha vil existência, comecei a ver o mundo e os seres humanos com outros olhos- e tal deturpada visão fizera-me desejar a Morte, tal era minha crescente repulsa que sentia por tais seres, e por tudo o mais que existia.

   Outrora desejava ardosamente que se desvanecessem para sempre todas as coisas deste mundo doentio, inclusive a mim, criatura da noite subjugada a viver eternamente em suas sombras, e desprovida de quaisquer sentimentos senão minha constante sede por sangue. Amaldiçoei tantas vezes tal destino, mas por fim acabara aceitando meu fardo. Há tempos já não sentira mais remorso em matar.. e este acontecimento que lhes narrarei descreve como me tornei o que sou hoje, um vampiro.


   Os fatos que ora lhes relato ocorreram em uma gélida noite de Inverno, há muitas luas atrás.


- 


   Era início de dezembro, e os primeiros flocos de neve começavam a cair do céu. Estava descansando ao ar livre, no fim de uma tarde, próximo a uma conhecida catedral de Barcelona.
   Dedicava-me a contemplar uma série de pinturas de Francisco de Goya, denominada Los caprichos.
As horas corriam.. Quando dei por mim, a noite já encobria lentamente o dia, até findar toda a luz em seu manto escurecido. Estava a refazer o caminho de volta para casa, enquanto refletia sobre uma gravura de Goya cuja legenda havia me chamado a atenção: O sono da razão produz monstros. 
   Afinal, - indaguei - O que faz um homem perder a razão?

   Enquanto caminhava, estando absorto em meus pensamentos, em dado instante tive a sensação de estar sendo observado.

   Comecei a sentir-me desconfortável e a apressar meus passos; foi quando me deparei com um par de olhos brilhantes que me fitavam ao longe, em meio ao nevoeiro e ao breu da noite.
   Naquele breve momento, aqueles olhos, negros como furnas do inferno , pareciam ter visto através de minha alma; meu temor veio de maneira súbita, de modo que realmente me surpreendeu, pois eu nunca havia me sentido de tal forma antes: Um medo mortal se alastrou por todo o meu corpo.
   Tal pavor paralisou-me, de modo que não fui capaz de fugir, e realmente não sabia que forças ocultas haviam me impelido de escapar. Tentei gritar com todas as minhas forças, mas minha voz pareceu apenas um sussurro abafado em meio àquela escuridão desoladora.

   Com todas as forças que ainda me restavam, olhei novamente para a face de quem (ou daquilo) que havia me amedrontado em tal intensidade.

   Era uma mulher.
   Ela era belíssima, mas em seu semblante havia algo que era, sem dúvida, de natureza sobrenatural.

   - Não tema - ela disse-me, estendendo-me sua mão.


   Ainda temeroso, fui estendendo minha mão em sua direção de forma relutante.. antes ainda de tocá-la, recordo-me que tudo à minha volta foi se desvanecendo aos poucos, e eu observava meu próprio corpo ir sumindo conquanto ia dividindo-se em pequenas partículas que evaporaram. Eu gritara, e dessa vez meu grito fora bastante forte e audível..

   Quando recuperei minha consciência, estava deitado de bruços no chão. Naquele momento, tentei convencer-me de que aquilo que se passou na noite anterior fora apenas um sonho, mas o lugar onde ora me encontrava não deixava-me dúvidas sobre o que havia acontecido. Vi meu reflexo no chão completamente ensanguentado, e minha expressão converteu-se em absoluto terror.

   O sono da razão produz monstros.

   A citação de Goya veio à tona em minha mente, naquele instante. Seriam as visões que tivera parte da realidade, ou meros produtos de uma mente insana? Bem, agora já sabem a resposta.. meu pesadelo era dolorosamente real! Mal sabia eu o que estava por vir..

by Vane


E este é o primeiro capítulo.. deixem suas opiniões, críticas e sugestões :) Em breve postarei o próximo capítulo.
p.s.: O título do conto é inspirado na música homônima do HIM.
p.s. 2: Para quem quiser conferir a série de pinturas de Goya às quais fiz referência, clique aqui.


January 5, 2015

Para o meu amor.

O quão cálida é a lágrima que desliza sob minha face
Aquecendo meu coração das angústias que o vem acalentar...
Meu querido amor, não posso sepultar a ideia infame
que sou incapaz de verdadeiramente amar.

Há de chegar o dia em que poderei eu entoar
Em teus braços tão gentis e cândidos,
o recorrente hino que os músicos e poetas cantam:
 o Amor, o cântico dos cânticos.

Mas em mim resta somente uma centelha da chama
que outrora ardera em caloroso fulgor.
Agora restam-me apenas suas frias cinzas:
Tudo que poderias ser, a sombra de seu amor.

Mas eu já não sou forte o bastante para afastar-me de ti.
Talvez apenas os fracos desconheçam a solidão..
Porquanto o Amor é o veneno da vida,
Tal qual envenenou meu solitário coração.

by Vane





Now all is dressed in cold desire
And i loved you so
So set this world on fire.. ♪

December 5, 2014

Ode aos Mistérios da Vida

"The future doesn't pass and the past won't overtake the present;
All that remains is an obsolete illusion (...)"
- The Phantom Agony, Epica

Permanecem ocultos os mistérios da vida;
Clamo por sua real essência, sua verdadeira significação..
O silêncio da noite acolhe minha alma corrompida,
Ocultando respostas que se perdem em meio a imensidão.
Busco a luz em meio às trevas e ao desalento
Pois meus olhos mal enxergam perante tal padecimento.

Então, eu os deixo se perderem entre o céu e o mar,
Tal como se contemplassem minha frágil existência..
Qual é o sentido de tudo isso, de toda alegria e todo pesar,
e de termos, como humanos, uma coletiva consciência
se no fim, impiedosamente a morte a tudo findará,
E toda esperança que outrora tive, por terra jazerá?

Embora repleta de amargas dúvidas, em meu íntimo ainda creio
que os aprendizados com os quais vamos engrandecendo espiritualmente
Em breve nos revelarão os mistérios ocultos sob nossos anseios,
e nos despertarão deste breve sonho, finalmente
nos revelando o sentido do dias que perdem-se nas ondas do Tempo,
tal como um novo despertar.. A visão de uma realidade diferente!

Em meio à árdua espera de que todo sofrimento
e minha passagem pela terra não caiam em esquecimento,
espero que tudo há de possuir razões deveras grandiosas.
E no fim, a respostas serão nossas conquistas mais gloriosas,
Que serão em sua plenitude possíveis de compreender;
E será preenchido de razão o âmago de nosso ser.

by Vane

Imagem de candle and goth

September 29, 2014

Noite

A noite está chegando; seu breu enegrecerá lentamente o dia,
cobrindo de tons escuros o crepúsculo na linha do horizonte.. 
Quisera eu descobrir seus mistérios,
perdendo-me no lúgubre encanto que nela existe.

Ao anoitecer, tudo parece renovar-se.
Nesta hora tão sombria e bela,
em que os astros cintilam silenciosamente na escuridão,
mergulho em meus pensamentos e memórias..

Nunca esquecerei o quão belo é o cálido luar,
altivo no céu, reinando em meio às sombras,
abençoando os que dormem e sonham.
E das estrelas, luminosamente estendidas sobre a imensidão
do manto negro no céu..

Tal beleza tão singular faz-me permanecer
eternamente encantada pela noite.

by Vane

Imagem de eyes, grunge, and blue



I like your whispering in the dark
There are whispers of the past
You are hiding deep inside my dreams
Dreaming the final dream, the last.. ♪

July 22, 2014

Elegia sobre a Vida e a Morte

"Nascer é apenas começar a morrer."

- Théophile Gautier


Aqui estamos, submetidos a uma finita passagem pelo mundo,
vivendo em função de nossos sonhos e ambições; 
Enquanto o Tempo continua a passar, de maneira ininterrupta,
diante de nossos olhos...
A Vida é demasiado curta, e longa é nossa procura pelo que mais almejamos.
Vivemos apenas das paixões que semeamos e colhemos...
Este caminho que trilhamos, sem saber ao certo como esta jornada irá findar-se.

O que é a Morte? Um reino de silêncio à nossa espera, um grandioso mistério.
Eis um sombrio destino sobre o qual nada temos certeza,
a não ser sobre o fato de que ele chegará...
E a Vida, por sua vez, é esta breve passagem para a qual tentamos dar um sentido;
Procurando preenchê-la com nossos desejos, tudo aquilo que procuramos 
conquistar e possuir. Nessa busca, muitos se perdem em direções erradas... 
Afinal, a Vida é uma jornada repleta de caminhos errôneos!

O Tempo passará; e quando chegar a hora, a Morte irá dar-nos seu beijo mortal..
Eis o destino de todos nós, independentemente dos distintos caminhos
que seguiremos em nossas vidas.

by Vane 

Elegy (douleur d’amour) 1899 - William Bouguereau:
Elegy, por William Bouguereau

May 14, 2014

Desalento

"This is the life: too short to die, too hard to stay"
- Theatres des Vampires


Estava perdida novamente nas ruínas daquele lugar onde jazia tudo que outrora amei..
Minha memória. Momentos felizes que vivi, mas também dores e angústia passadas;
a cada recordação, poderia ainda sentir cada sensação novamente.. nada é realmente esquecido.
Minhas lembranças pareciam ser como feridas abertas em meu interior,
que jamais cicatrizariam.

Era mais frio do que antes, ainda mais que o inverno passado;
o gélido vento enregelava meu corpo e espírito.

Pude perceber que havia deixado para trás tantos sonhos que,
 mais do que nunca, pareciam-me tão distantes!
Lamentei ter sufocado minhas esperanças no silêncio de uma vida eternamente breve,
na qual me continuavam a assombrar-me os remorsos e lamentos do passado.

Continuava a perseguir-me o pensamento que minha vida ia se esvaindo.
O tempo, por sua vez, passava obsoleto diante de meus olhos fatigados...
Encontrava-me em meio a estes pensamentos aflitos,
sentindo calafrios em meio a este mordaz desalento.

Parecia incapaz de encontrar a paz.
A realidade, descoberta de seu manto de ilusões,
nunca pareceu-me tão crua, tão tangível.
E essa era minha realidade, e a do mundo ao meu redor..
estaria toda a beleza da vida destinada a perder-se?

Não há maior sofrimento do que recordar a felicidade em tempos de angústia.


by Vane


Memento Mori


February 16, 2014

Triste Lamento


O quão doce era aquele pôr do sol que precedia o anoitecer!
Era um espetáculo puro e silencioso entre a terra e o céu,
Que eu apreciava com melancolia:
tal como se fosse a última vez que o veria.
Mas nem mesmo tão morna e acolhedora luz
Poderia afastar as sombras que adoeciam meu coração...

Outro dia chegava ao fim.
Tristemente, lamentei o quão breve é a vida,
Para tantos caminhos ainda a percorrer
em meio a esta frágil existência...

Isto era o fardo que todos estão condenados 
a carregar em suas vidas, 
Ou o que eu via era nada mais que
meus sonhos sucumbidos pela dor de viver?

by Vane


Photos || via: tumblr