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December 19, 2016

O Espectro da Donzela

Era uma fria noite de setembro
Em que, caminhando sob a sombra do luar
Em meio ao denso breu entao vislumbro
Uma pálida donzela a vagar;

De doce compleição, porém distante
Possuía a pele alva como a lua
Ora vi sua lamúria  inquietante
Chorava a dama por angústias suas;

Eu ouvi daquela triste alma o pranto
Clamava ela por um amor antigo
A procurar nas sombras acalanto;

E foi-se ela ao despontar da aurora!
Seria uma alma em seu velho jazigo
Recordando tempos de outrora?

by Vane

Imagem de aesthetic, gold, and hipster

Bom final de semana!
Desejo um ótimo final de ano a todos que acompanham esse blog :)
Abraços



April 17, 2016

The Death of Hours - Capítulo III


THE DEATH OF HOURS
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


   A sala do velho chalé estava quase totalmente silenciosa e soturna na tarde em que as duas mulheres aproximaram-se do tabuleiro; Margott sibilou à jovem:

   - Pois bem, criança, o que deseja saber? Mas lembre-se: não poderás perguntar sobre Deus, ou sobre que âmbito se dará sua morte, ou quaisquer dúvidas desta natureza. Temo que seja perigoso!.

   Sybil momentaneamente pensou e refletiu - Afinal, o que perguntaria à finada Constance? As únicas dúvidas que, de fato, estavam a assombrá-la giravam em torno do suposto suicídio de sua mãe. Quais seriam seus reais motivos? Se Constance sofrera em vida, a jovem nunca tivera ciência deste fato – para ela, suas razões em desejar a Morte ainda eram misteriosas.

   - Desejo saber em que circunstâncias de deu a morte de minha mãe.. Os motivos pelos quais ela acabou por findar sua própria vida! – sentenciou.

   As duas posicionaram seus dedos sobre o tabuleiro, e – para o temor e assombro de ambas – o ponteiro começou a mover-se, de modo a estabelecer ligações entre as letras, formando alguma palavra; elas observavam atentamente a palavra sendo formada: um nome!

   “L-E-O-N-A-R-D”

   Leonard! Sybil por ora não havia compreendido como seu pai poderia ter sido o responsável por tal fatal acontecimento – A menos que ele fosse um individuo cuja natureza era vil – Mas como poderia Sybil ter este pensamento sobre ele? Ou será que o mesmo possuía um lado cruel, uma faceta que ainda lhe era desconhecida? E como, afinal, ele teria sido o responsável pela morte de Constance? Ante a todos estas dúvidas, a jovem sucumbiu a um profundo estado de medo e inquietude; seu corpo estremecia, e seus olhos tornaram-se marejados de lágrimas. Margott, ao ver tal aflição da sobrinha, suplicou-lhe:

   - Acalme-se, Sybil! Ou o pior ainda estará por vir. Devemos ter demasiado cuidado com..

   De repente, o tabuleiro iniciou a recitação do alfabeto de trás para frente; Margott, assombrada, alertou Sybil:

   - Rápido! Afaste seus dedos, ou o espírito irá escapar do tabuleiro!!

   Sybil, rapidamente os afastou. Com suas respirações aceleradas e em estado de pânico pelo que se deu a momentos atrás, olharam novamente o tabuleiro. A atividade paranormal que previamente ocorria nele havia cessado, e ambas ora suspiravam aliviadas. 


-

   Posteriormente veio à tona o fato de que Leonard havia assassinado Constance; isto foi descoberto por meio de uma investigação feita após sua Morte, quando fora encontrado enforcado em seu quarto no longínquo sanatório inglês. Fora descoberto que o infeliz homem estivera corrompido por um desejo de cobiça cada vez maior, o que acarretou no assassinato da esposa – havia muito tempo que não nutria mais nenhum afeto por ela, e na época que tais fatídicos acontecimentos se sucederam, ambos travavam pela separação, porém Leonard desejava todos os bens que a mulher possuía para si. Como já previamente relatado, conseguiu o que almejava, entretanto o assassinato o levara a um estado de insanidade: antes de ser confinado e afastado da filha, dizia-se ele assombrado pelo espectro de sua ex-mulher!

   Sybil mal poderia suportar a angústia que a acometeu, ante a tais fatos revelados; porém Margott, velha mulher que muito entendia a respeito da vil natureza humana e sobretudo da morte, ajudou-a a não sucumbir à tristeza que tais revelações ocasionaram. A velha senhora acolheu-a para morar definitivamente no chalé, no qual retomaram suas vidas depois de alguns anos.


-

   Margott e Sybil foram vistas no conhecido cemitério de Highgate, em Londres, a depositar rosas sobre o túmulo de Constance Hale. 
   Depois o contemplaram por algum tempo; pareciam completamente absortas em reflexões e memórias.
   Os demais túmulos estavam cobertos com relva que cresciam em torno; o de Leonard, que ali jazia um pouco mais afastado do túmulo de Constance, ainda estava nu; era o mais recente daquele lugar.

   Parafraseando Emiy Brontë, em seus famoso romance O Morro dos Ventos Uivantes:
 “(...) sob aquele céu tão suave, olhando as mariposas que volitavam por entre as urzes e as campânulas, escutando a brisa ligeira que agitava a relva, (...) como poderia alguém imaginar que tivessem um sono perturbado aqueles que dormiam naquela terra tranquila?”


FIM
by Vane



Hoje finalmente publico o último capítulo de The Death of Hours! Os links para os capítulos anteriores estão inseridos no início do post.

Sejam livres para deixarem aqui suas críticas, opiniões e sugestões :)

Uma boa semana a todos!

March 12, 2016

The Death of Hours - Capítulo II


THE DEATH OF HOURS
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


   Era uma gélida e nevoenta manhã de outono, quando a Sybil partiria, possivelmente para um destino sem retorno. Destino este que visava melhoras, porém a jovem não possuía boas expectativas em relação ao mesmo.. Seu coração ainda era assombrado por vis dúvidas e incertezas; naquele dia em especial instalara-se em seu semblante um estado de profunda melancolia. 

   De repente, o rosto de Constance Hale apareceu em sua mente, como uma furtiva memória.
   Sybil desejou sua presença, a questionar a si mesma se ora sua mãe estava em um lugar melhor, a ter seu merecido descanso; ou talvez se seu espírito ainda padecia das mundanas dores, e ainda, - pobre d’ela! – ainda não encontrara paz.
   Lúgubres indagações lhe vinham à mente, tal como pensamentos dispersos e distantes que de repente vinham à tona.

   “Seria o sofrimento uma prova de que estamos vivos?”

   Em seguida, pensou brevemente em seu pai, o infeliz Leonard. O que seria dele? Sybil lamentou sua infeliz sorte, tentando evitar a possível resposta a tal questionamento, uma vez que esta não parecia muito promitente. 

   Assim, ainda envolva a tais reflexões, a jovem tomou o navio que a levaria a seu longínquo destino, ao encontro de sua parente mais próxima, que estava a morar no norte da Irlanda; a viagem transcorrera sem transtorno algum. Porém.. Pobre Sybil! Sua solidão deixava-a num estado cada vez mais distante. Poderia passar tardes inteiras absorta em leituras, ou com o olhar perdido no mar, no balanço frenético das ondas, a perder-se em pensamentos.

   Logo estava a chegar em seu destino: Margott Hale morava em um casebre de aparência rústica e peculiar, num local um tanto isolado do restante da cidade. 
   Sem duvida não parecia um ambiente muito acolhedor: tal recinto passaria a impressão de ser um local abandonado, se não houvesse um jardim e uma pequena horta razoavelmente cultivada. 
   Ao avistar a jovem, aquela mulher de longos cabelos grisalhos e feições desgastadas pelo tempo acolheu-a afavelmente; Sybil teve uma boa impressão de sua tia, mesmo que não poderia-se dizer que ela houvesse tido a mesma impressão em relação ao lugar aonde ora se encontrava. 

   Ao adentrar e conhecer melhor os aposentos daquela humilde morada, Sybil intrigou-se com o que lá viu: tarôs, incensos, velas, e demais objetos esotéricos cuja natureza para ela ainda era desconhecida, mas que a deixaram estranhamente fascinada. 

   Assim, não pode deixar de questionar Margott a respeito dos mesmos, ao que ela respondeu:
   - Minha cara, já que estarás a morar comigo por tempo indefinido, não vejo o porque de guardarmos segredos uma com a outra. Veja! Através destas cartas, destes instrumentos – ia dizendo, ao apontar ao apontar cartas e livros antigos, que a jovem deduziu que tratavam de ocultismo e temas similares -, eu entro em contato com a nobre arte da quiromancia,.. Tudo o que é sobrenatural me fascina! – sibilou ela, mais baixo, para Sybil. Esta se identificou imediatamente com a tia, desse modo sentindo-se mais próxima dela. 

   - E este.. – disse ela, ao apontar um tabuleiro Ouija – Serve para comunicarmo-nos com o Além. Veja bem, eu o usei poucas vezes, mas é sempre intrigante ouvir o que os mortos tem a dizer. 
   Era já tarde da noite; Sybil observou o tabuleiro à luz do candelabro, estando a tremulante luz das velas a revelar o objeto. Aquele estranho artefato provocou sensações estranhas nela; e em um misto de curiosidade e assombro, um nome veio a sua mente.

   Constance.

   De imediato questionou Margott se poderia algum dia tentar realizar algum contato com sua finada mãe. 
   A reação imediata de sua tia fora de espanto e ressalva, mas, tomada pela insistência da sobrinha, posteriormente acabou por concordar; afinal compreendia tão bem o que era sentir ardosamente falta de entes queridos que não mais viviam; a velha senhora, antes da chegada de Sybil, vivia só.



(continua)

by Vane

January 23, 2016

The Death of Hours - Capítulo I

Ainda com o objetivo de ir melhorando minha escrita e também não ficar muito tempo sem escrever, hoje posto o primeiro capítulo de um conto que comecei a escrever há alguns dias, The Death of Hours.
Em breve postarei mais dois capítulos! :)


THE DEATH OF HOURS
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


   Observo de longe, através de carvalhos e ciprestes, quase completamente ocultas entre a relva e a hera que cresciam por toda parte as velhas ruínas da mansão da que outrora pertencera à família Hale.

   Família esta que teve seus dias de glória, mas após a morte de Constance Hale e a total perda da sanidade de Leonard Hale, afundou-se de tal modo que ora o nome dos Hale não passa de uma memória. 
   A historia que lhes narrarei sem dúvida parece uma obra de ficção de minha mente, pois rompe a tênue linha que separa a Vida e a Morte, e trata dos sofrimentos inerentes a ambos. A Morte é realmente o fim? Depois dos fatos que presenciei, sentencio que não! Porém, nem mesmo no fim de suas vidas, algumas pobres almas encontram, afinal, a paz.. 

   Os infortunos acontecimentos que ora assombram minha memória datam de uma época muito longínqua.. Tudo se passara no ano de 1852, na Londres da época vitoriana.

   Muito tempo se passara desde então.


-


   Naquela grandiosa mansão havia uma atmosfera que poderia ser descrita como fúnebre; os salões que outrora eram alegres e iluminados, ora eram escurecidos.
   Um silêncio sepulcral e absoluto pairava sobre quase todos os cômodos.
   Constance Hale falecera recentemente, e sua essência ainda parecia permanecer naquela mansão.
   Seu perfume parecia exalar em todo lugar, e isso aparentemente levara o viúvo Leonard a um estado de profunda melancolia e reclusão.

   Leonard passava dias em seu quarto de dormir, lamuriando-se, segundo o próprio, “Pelos erros que cometeu”.
   Era fato conhecido que a morte de Constance havia sido por suicídio; ao menos assim parecia ter ocorrido. Porém Leonard parecia se culpar por este fatal acontecimento, e aos poucos acabou sucumbindo à dor da perda; sua saúde começou a deteriora-se.

   O casal tivera uma filha, Sybil Hale; esta acabara de completar 17 anos. Era uma jovem de semblante amável, e era bela - muito parecida com Constance. Após a morte da mãe, sua face adquiriu uma constante expressão taciturna e sombria.
   Estando Sybil também estava profundamente perturbada por tal ocorrido, também deixava a perda corroê-la lentamente.

   A mansão, depois dos fatos previamente relatados, tinha poucos criados; e raramente as portas e janelas eram abertas, estando o ambiente sempre mal iluminado e lúgubre.

   A morada daquela família, tal como no célebre conto A Queda da Casa de Usher, de Poe, começou a adquirir o aspecto sombrio de seus donos, e entrar em decadência e ruína. 

   Com o passar de alguns meses desde a morte de Constance, e após tanto tempo de isolamento,  Leonard encontrava-se fora de si; comportava-se de forma insana, a lamuriar e bravejar coisas desprovidas de sentido. Dizia-se assombrado pelo espectro de sua falecida esposa, e nas raras ocasiões que fora visto fora da velha mansão, estava no cemitério onde jazia Constance, a profanar seu túmulo a falar com o vazio, proferindo palavras incompreensíveis.
   Apresentou-se como uma ameaça aqueles que moravam perto da mansão Hale, que julgaram-no louco e internaram-no em um sanatório da região, afastando-o da filha.

   Sybil, por sua vez, mesmo abalada com a morte de Constance, manteve-se sã. Fora decidido que seria mais seguro que a jovem, para não ter o triste fim de Leonard vivendo isolada naquela mansão, fosse morar com um parente próximo. 
   Logo se mudaria para viver com sua velha tia Margott, a única parente viva que ainda possuía e preservava suas faculdades mentais.  

   Preparando-se para a mudança, Sybil despedia-se, com os olhos marejados de lágrimas, daquele cenário ora lúgubre, mas que já fora onde passou anos felizes com Constance e o pai.
Naquele momento as boas lembranças lentamente se desfaziam, como cinzas espalhadas ao vento.

   “Afinal, o que os novos ventos do destino me trarão?” 


(continua)

by Vane


E este foi o primeiro capítulo.. deixem suas opiniões, críticas e sugestões!
Um excelente fim de semana a todos.

p.s.: O título do conto é baseado na música homônima do Draconian.

May 4, 2015

Ao Poeta

Ó Poeta! Acaso teus versos escreves,
Com o intuito de tua alma se elevar.
Mesmo quando tuas dores em versos descreves,
Para que tuas palavras o venham acalentar?

Em versos eterniza teus cantos
A elevar as belezas mais singelas:
Porventura o mundo não deturpou tais encantos
Que provém das coisas clamadas belas?

Não calas, Poeta, perante o enleio
Das dores que a vida consome-nos,
Fazendo teu canto gelar-te em teu seio?

Ó Poeta! Acaso toda esta tua dor
Converter-se-á em belíssimos versos
Escritos com lágrimas de amor?

by Vane

Imagem de rose and book


Minha sutil homenagem à Poesia, uma das mais belas expressões de Arte, em minha opinião..

Uma boa semana a todos!
Abraços

August 9, 2014

Cárcere das Almas - Cruz e Sousa

Cárcere das Almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza

Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas

Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,

que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!

Cruz e Sousa




Um bom final de semana a todos!
Bjs

June 10, 2013

Uma Taça Feita De Um Crânio Humano - Lord Byron

Hoje postarei aqui um poema de um autor que admiro muito, Lord Byron. A tradução é de Castro Alves.



Uma Taça Feita De Um Crânio Humano

Não recues! De mim não foi-se o espírito...
Em mim verás - pobre caveira fria -
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.

Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!... que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.

Mais vale guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
- Taça - levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do réptil.

Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
...Podeis de vinho o encher!

Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.

E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor ai repousa?
É bom fugindo à podridão do lado
Servir na morte enfim p'ra alguma coisa!...

Lord Byron





Uma boa semana a todos!
Bjs