August 29, 2013

Mistério - Florbela Espanca

Mistério

Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…

Talvez um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!

Florbela Espanca

Imagem de black and white, gif, and rain




August 17, 2013

Os Degraus - Mario Quintana

"Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros. 

Não subas aos sótãos - onde 
Os deuses, por trás das suas máscaras, 
Ocultam o próprio enigma.

Não desças, não subas, fica. 
O mistério está é na tua vida! 
E é um sonho louco este nosso mundo..."

- "Os degraus", Mario Quintana




Encontrei esse poema em uma das postagens de meu antigo blog.. tanto tempo se passou desde que eu o havia publicado lá, e essas palavras ainda me inspiram!..

Bom final de semana a todos. ^^"





August 3, 2013

My Suicide Lullaby



"Je suis trop jeune encor, je veux aimer et vivre,
Ô mort… et je ne puis me résoudre à te suivre
Dans le sombre chemin; (...)
Ô mort, reviens demain!"

- Théophile Gautier, em "La Comédie de La Mort" 


Suicide Lullaby.

Em pé, defronte à sua sepultura
Nesta gélida noite, sob a pálida luz do luar
Remoo as lembranças, com amargura
Daquele que se foi, e que sempre irei amar.

Através da névoa da madrugada
Eu indago a ti, ó Morte!
Por que levaste minha pessoa amada,
Deixando-me só, à minha própria sorte?

Meu amado, mesmo que jamais me esqueça de ti,
Queria ter visto o mundo através do teu olhar;
Pois o quão era infeliz, jamais compreendi.
Embora nunca cessasse de te adorar. 

Cometera suicídio, à morte se entregou
Acreditando que assim, sua dor iria cessar,
Pois a vida, de ilusões lhe cegou;
E perdera a si mesmo, incapaz de se reencontrar.

Na vida, jamais verdadeiramente acreditou;
Embora tivesse sonhos, que jamais foram realizados
 Que envenenaram o solo sob o qual estou,
Pois agora, junto a ti estão enterrados.

by Vane

Imagem de black and white, dark, and cemetery