December 19, 2016

O Espectro da Donzela

Era uma fria noite de setembro
Em que, caminhando sob a sombra do luar
Em meio ao denso breu entao vislumbro
Uma pálida donzela a vagar;

De doce compleição, porém distante
Possuía a pele alva como a lua
Ora vi sua lamúria  inquietante
Chorava a dama por angústias suas;

Eu ouvi daquela triste alma o pranto
Clamava ela por um amor antigo
A procurar nas sombras acalanto;

E foi-se ela ao despontar da aurora!
Seria uma alma em seu velho jazigo
Recordando tempos de outrora?

by Vane

Imagem de aesthetic, gold, and hipster

Bom final de semana!
Desejo um ótimo final de ano a todos que acompanham esse blog :)
Abraços



September 13, 2016

Palavras - Sylvia Plath

Palavras

Golpes 
De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.

A seiva 
Jorra como pranto, como
Água lutando 
Para repor seu espelho
Sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
Encontro

Essas palavras secas e sem rédeas,
Bater de cascos incansável.
Enquanto do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.

Sylvia Plath




 Hoje, depois de um longo tempo sem postar, apresento aqui este belo poema de Sylvia Plath - o mesmo, a meu ver, define bem a força, dureza e sensibilidade que as palavras podem conter..
A tradução de é de Ana Cristina César.

June 20, 2016

A Bela Dama Sem Piedade - John Keats

Hoje posto aqui esta obra de John Keats, que sem dúvida é um de meus poemas favoritos! A tradução é de Izabella Drumond.


A Bela Dama Sem Piedade

Oh! O que pode estar perturbando você, Cavaleiro em armas,
Sozinho, pálido e vagarosamente passando?
As sebes tem secado às margens do lago,
E nenhum pássaro canta.

Oh! O que pode estar perturbando você, Cavaleiro em armas?
Sua face mostra sofrimento e dor.
A toca do esquilo está farta,
E a colheita está feita.

Eu vejo uma flor em sua fronte,
Úmida de angústia e de febril orvalho,
E em sua face uma rosa sem brilho e frescor
Rapidamente desvanescendo também.

Eu encontrei uma dama nos campos,
Tão linda... uma jovem fada,
Seu cabelo era longo e seus passos tão leves,
E selvagens eram seus olhos.

Eu fiz uma guirlanda para sua cabeça,
E braceletes também, e perfumes em volta;
Ela olhou para mim como se amasse,
E suspirou docemente.

Eu a coloquei sobre meu cavalo e segui,
E nada mais vi durante todo o dia,
Pelos caminhos ela me abraçou, e cantava
Uma canção de fadas.

Ela encontrou para mim raízes de doce alívio,
mel selvagem e orvalho da manhã,
E em uma estranha linguagem ela disse...
"Verdadeiramente eu te amo."

Ela me levou para sua caverna de fada,
E lá ela chorou e soluçou dolorosamente,
E lá eu fechei seus selvagens olhos
Com quatro beijos.

Ela ela cantou docemente para que eu dormisse
E lá eu sonhei...Ah! tão sofridamente!
O último dos sonhos que eu sempre sonhei
Nesta fria borda da colina.

Eu vi pálidos reis e também príncipes,
Pálidos guerreiros, de uma mortal palidez todos eles eram;
Eles gritaram..."A Bela Dama sem Piedade
Tem você escravizado!"

Eu vi seus lábios famintos e sombrios,
Abertos em horríveis avisos,
E eu acordei e me encontrei aqui,
Nesta fria borda da colina.

E este é o motivo pelo qual permaneço aqui
Sozinho e vagarosamente passando,
Descuidadamente através das sebes às margens do lago,
E nenhum pássaro canta.

John Keats


magnificentbaroque: “ The Beautiful Woman Without Mercy - John William Waterhouse (1849-1917) ”:
 The Beautiful Woman Without Mercy, por John William Waterhouse