January 23, 2016

The Death of Hours - Capítulo I

Ainda com o objetivo de ir melhorando minha escrita e também não ficar muito tempo sem escrever, hoje posto o primeiro capítulo de um conto que comecei a escrever há alguns dias, The Death of Hours.
Em breve postarei mais dois capítulos! :)


THE DEATH OF HOURS
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


   Observo de longe, através de carvalhos e ciprestes, quase completamente ocultas entre a relva e a hera que cresciam por toda parte as velhas ruínas da mansão da que outrora pertencera à família Hale.

   Família esta que teve seus dias de glória, mas após a morte de Constance Hale e a total perda da sanidade de Leonard Hale, afundou-se de tal modo que ora o nome dos Hale não passa de uma memória. 
   A historia que lhes narrarei sem dúvida parece uma obra de ficção de minha mente, pois rompe a tênue linha que separa a Vida e a Morte, e trata dos sofrimentos inerentes a ambos. A Morte é realmente o fim? Depois dos fatos que presenciei, sentencio que não! Porém, nem mesmo no fim de suas vidas, algumas pobres almas encontram, afinal, a paz.. 

   Os infortunos acontecimentos que ora assombram minha memória datam de uma época muito longínqua.. Tudo se passara no ano de 1852, na Londres da época vitoriana.

   Muito tempo se passara desde então.


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   Naquela grandiosa mansão havia uma atmosfera que poderia ser descrita como fúnebre; os salões que outrora eram alegres e iluminados, ora eram escurecidos.
   Um silêncio sepulcral e absoluto pairava sobre quase todos os cômodos.
   Constance Hale falecera recentemente, e sua essência ainda parecia permanecer naquela mansão.
   Seu perfume parecia exalar em todo lugar, e isso aparentemente levara o viúvo Leonard a um estado de profunda melancolia e reclusão.

   Leonard passava dias em seu quarto de dormir, lamuriando-se, segundo o próprio, “Pelos erros que cometeu”.
   Era fato conhecido que a morte de Constance havia sido por suicídio; ao menos assim parecia ter ocorrido. Porém Leonard parecia se culpar por este fatal acontecimento, e aos poucos acabou sucumbindo à dor da perda; sua saúde começou a deteriora-se.

   O casal tivera uma filha, Sybil Hale; esta acabara de completar 17 anos. Era uma jovem de semblante amável, e era bela - muito parecida com Constance. Após a morte da mãe, sua face adquiriu uma constante expressão taciturna e sombria.
   Estando Sybil também estava profundamente perturbada por tal ocorrido, também deixava a perda corroê-la lentamente.

   A mansão, depois dos fatos previamente relatados, tinha poucos criados; e raramente as portas e janelas eram abertas, estando o ambiente sempre mal iluminado e lúgubre.

   A morada daquela família, tal como no célebre conto A Queda da Casa de Usher, de Poe, começou a adquirir o aspecto sombrio de seus donos, e entrar em decadência e ruína. 

   Com o passar de alguns meses desde a morte de Constance, e após tanto tempo de isolamento,  Leonard encontrava-se fora de si; comportava-se de forma insana, a lamuriar e bravejar coisas desprovidas de sentido. Dizia-se assombrado pelo espectro de sua falecida esposa, e nas raras ocasiões que fora visto fora da velha mansão, estava no cemitério onde jazia Constance, a profanar seu túmulo a falar com o vazio, proferindo palavras incompreensíveis.
   Apresentou-se como uma ameaça aqueles que moravam perto da mansão Hale, que julgaram-no louco e internaram-no em um sanatório da região, afastando-o da filha.

   Sybil, por sua vez, mesmo abalada com a morte de Constance, manteve-se sã. Fora decidido que seria mais seguro que a jovem, para não ter o triste fim de Leonard vivendo isolada naquela mansão, fosse morar com um parente próximo. 
   Logo se mudaria para viver com sua velha tia Margott, a única parente viva que ainda possuía e preservava suas faculdades mentais.  

   Preparando-se para a mudança, Sybil despedia-se, com os olhos marejados de lágrimas, daquele cenário ora lúgubre, mas que já fora onde passou anos felizes com Constance e o pai.
Naquele momento as boas lembranças lentamente se desfaziam, como cinzas espalhadas ao vento.

   “Afinal, o que os novos ventos do destino me trarão?” 


(continua)

by Vane


E este foi o primeiro capítulo.. deixem suas opiniões, críticas e sugestões!
Um excelente fim de semana a todos.

p.s.: O título do conto é baseado na música homônima do Draconian.

January 19, 2016

Soneto a Vanessa

Hoje posto aqui estes versos que são um presente do talentosíssimo poeta Samuel Balbinot.. 
Sinto-me honrada, e agradeço muitíssimo pelo soneto! :)

Nas noites mais sombrias te deleitas
Mergulhando num céu de escuridão;
Em véus de seda negra tu te deitas
Com rosas cor de sangue pelo chão;

No profundo negrume as mais perfeitas
Formas se moldam, nada é ilusão...
Formas que vagam sempre satisfeitas
Vestidas pela doce solidão;

Quando dos sonhos teus for cair o véu...
Verás anjos de luz vindos do céu
Para levar tua alma em carruagem;

Nós dois aqui estamos de passagem...
Mesmo em tristeza veja a tal beleza
Que te veste doce e bela Vanessa;

Samuel Balbinot