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March 8, 2013

A Morte Absoluta - Manuel Bandeira

A Morte Absoluta

Morrer. 
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."

Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome. 

Manuel Bandeira


Imagem de flowers, gif, and girl


 Esse texto me fez refletir... Depois de morrermos, será que nossa existência de outrora será esquecida, não passará de uma mera lembrança? Bem, acho que nada ou ninguém é realmente esquecido, acredito que todos deixamos marcas que nem mesmo o tempo pode corroer.

Um ótimo final de semana a todos! .. Bjs