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April 12, 2016

April 12, 1976 - first Vampire Chronicles book

"... E eu me vi. 
Quero que olhem para mim da maneira que apresento, 
enquanto juro de coração que esta história é verdadeira, 
assim como cada palavra contida nela.
Sou o Vampiro Lestat. Foi isso o que vi. Foi isso o que ouvi. 
É isso o que sei! Isso é tudo o que sei. 
Acredite em mim, nas minhas palavras, no que eu disse e no que foi escrito. 
Estou aqui, ainda. Sou o herói dos meus próprios sonhos, 
e permitam por favor que eu mantenha meu lugar nos seus. 
Eu sou o Vampiro Lestat. 
Permitam-me agora passar da ficção para a lenda. " 

- Anne Rice, em Memnoch




Em 12 de abril de 1976, Anne Rice publicou o primeiro volume de suas famosas Crônicas Vampirescas, Entrevista com o Vampiro.
Hoje, data de aniversário de tal lançamento, compartilho aqui este fragmento do livro Memnoch, um de meus livros favoritos das Crônicas.
Uma ótima semana a todos!






February 28, 2015

Vampire Heart - Capítulo III

VAMPIRE HEART
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


    - Estava em seu aguardo, Vincent – disse-me ela, estendendo em minha direção um cálice que continha um líquido vermelho escuro.

   Tentei recuar, mas algo que nela havia fez-me aceitar o que me oferecia.. Seus olhos me enfeitiçavam. 


   Bebi um gole daquela substância. Ela continuou:

   - Sim, seu pesadelo fora real! Bem-vindo ao meu reino, ao qual você há de adentrar agora.

   Naquele instante, não consegui me mover: meus movimentos estavam paralisados. Ela aproximou-se, fitando-me profundamente; e como um animal selvagem, ela então me atacou, dilacerando-me ainda mais de como fizera antes. Senti uma agonizante dor, e logo em seguida uma onda de calor percorreu meu corpo. Era seu sangue, sua essência da qual eu havia provado e ora jorrava também em mim. 


   Em seguida, uma estarrecedora sede invadiu-me; sem pensar, apoderei-me do corpo de Élise, com o cálido ardor de um amante; e então comecei a sugar seu sangue.


   Meus sentidos se confundiram completamente.. Uma agonia vital e estranha veio a mim. Uma vez que minha sede estava saciada, tudo à minha volta volveu-se em trevas. O que viera a seguir era foi a Morte, a consumir-me, porém, sem findar minha essência: ainda não era o fim.


   Após de tal forma morrer, acordei no interior de uma cripta oculta no interior daquela gélida montanha. Mesmo estando morto, uma centelha de vida corria por minhas veias! 


   - O que, afinal, tornei-me? – indaguei.


   Posteriormente, Élise veio a esclarecer minhas aterradoras dúvidas, e finalmente compreendi minha nova essência. Ela não me explicara com clareza os motivos pelos quais havia arrebatado minha vida humana, para depois conceder-me tal existência eterna, mas depois compreendi que ela vinha observando-me há tempos, fascinada por minha natureza consciente e indagadora – eu era como uma alma viva entre uma multidão de almas mortas, - segundo ela, - e por tal razão, assim eu devia permanecer para todo o sempre: vivo! 


   Dessa forma, com seu auxílio, através das primeiras décadas de minha imortalidade pude compreender mais profundamente a natureza humana: todas as suas virtudes, bem como seus vícios. Algumas coisas deixavam-me perplexo, e outras, por um breve período, me fascinaram em sua plenitude.

   Minha observação concentrou-se, sobretudo, em torno das raízes do mal -  veneno impregnado desde os primórdios em todo espírito humano, o qual, desde então, eu vinha buscando compreender. 

   Em dado momento, quando adquiri finalmente consciência de minha própria natureza, horrorizei-me; então meu ódio voltou-se contra minha criadora, Élise. Cego por tal ódio mortal, eu abandonei-a; desde então, tenho vivido só através das décadas que vieram a seguir, apenas em companhia de meus taciturnos pensamentos e memórias.




   Ora contemplo meu relato, absorto em meio às mais amargas reflexões; como havia contado previamente, através do tempo observei mais profundamente a Humanidade e adquiri uma grande aversão à mesma. Mas, por ironia do destino, meu ódio voltou-se para mim mesmo com maior intensidade. Sim! Quando afinal dei-me conta plenamente de minha monstruosidade, horrorizei-me para com minha própria vil natureza.


   Uma vez terminado de relatar-lhe minhas memórias, eu as confinarei a um lugar onde espero que minha cara Élise encontrará.. 

   E assim compreenda os motivos pelos quais decidi findar a centelha de vida que faz-me permanecer vivo.

   Agora que estou a terminar minha história, caro leitor, pretendo ir ao encontro da Morte - e desta vez, a Morte definitiva, que concede-nos o sono eterno - , cravando uma adaga em meu próprio coração, pois o mesmo ora é vazio, e incapaz de sentir qualquer coisa, senão repulsa por mim mesmo. 

   Aqui deixo minhas memórias, escritas com sangue, elixir da vida de uma vil criatura que teme sua própria existência.


FIM
by Vane



 E assim eu termino o meu primeiro conto! 
 Talvez ele tenha deixado um pouco a desejar por eu não ter muita experiência em escrever contos..  Mas de qualquer forma assim eu vou melhorando minha escrita aos poucos, conforme eu disse no post do capítulo I.
 p.s.: Links para os capítulos anteriores: aqui e aqui.

 Agradeço aos que acompanharam :)
 Abraços

February 19, 2015

Vampire Heart - Capítulo II

VAMPIRE HEART
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


The Velvet Cartel // Austin, TX www.velvetcartel.com
   Devo continuar o relato de como tornei-me a criatura que hoje sou.

   Como o leitor deve recordar-se, eu havia despertado subitamente sob um chão completamente ensanguentado; ao levantar-me cambaleando, percebi que estava dentro da grande catedral de Barcelona. A mesma havia adquirido um aspecto taciturno e sombrio, de tal forma que eu nunca vira antes. Havia pouquíssima luz, e apenas o que eu enxergava com clareza era o sangue, que jorrava abundantemente de um grande crucifixo que se encontrava à minha frente. As imagens dos santos choravam sangue, e todo o local se encobria lentamente de vermelho vivo. 

   Eu fraquejava de dor.. logo percebi que esta vinha duas marcas profundas em meu pescoço. Apesar de uma parte de mim acreditar que tudo aquilo era fruto de minha imaginação, encontrava-me em um estado de pânico, de modo que corri desesperadamente dali, e o portal da catedral então fechara-se em um fortíssimo estrondo.

   Uma vez aparentemente liberto de meu terrível devaneio, e encontrando-me do lado de fora daquele local escurecido onde estivera, percebi que acabara de amanhecer e os primeiros raios de sol despontavam no horizonte. Tal luz parecia cegar-me , então refugiei-me em um local onde haviam sombras. Recordando o vil pesadelo da noite passada, senti-me aliviado por aquilo ter acabado.



   Mas tive um grande calafrio ao sentir dor e dar-me conta de que as marcas em meu pescoço ainda estavam lá! Ele havia sido dilacerado, e eu sentia uma grande sensação de fraqueza e cansaço. Certamente eu perdera muito sangue.. assombrei-me com a possibilidade de os    Retornando ao local de meus pesadelos, constatei que lá estava tudo perfeitamente normal: o interior da catedral estava amplamente iluminado , sem resquícios de sangue no chão, e não havia quaisquer elemento que indiciava e veracidade do que havia se passado comigo na noite anterior. Algumas pessoas entraram no local, e fitavam-me com uma dose de desconfiança e estranhamento estampados em seus olhares. Logo apressei-me em sair de lá.. e não havia dúvida para mim, naquele momento, a loucura, vagarosamente, estava começando a entorpecer-me.

   Passaram-se muitos dias deste os fatos que acabo de lhes relatar, e desde então, em algumas fatídicas noites, eu a vi em meus sonhos – a sombria dama que levara consigo minha sanidade, julgara eu.
   Em tais visões, ela havia me dito que chamava-se Élise, e que eu deveria encontrá-la na encosta de uma certa montanha localizada na longínqua província de Vizcaya, no norte da Espanha, a fim de revelar-me um vil segredo.
Tomado por uma súbita coragem tomei a decisão de encontrá-la, decidido a desvendar, afinal, os acontecimentos sobrenaturais que haviam acontecido naquela noite. Embora estivesse - em partes - descrente que tais fatos possuíam algum vínculo com a realidade, desejava saber como haviam ocorrido, e por quais razões.

   O Inverno havia chegado de forma rigorosa, e as ruas estavam torrencialmente cobertas de neve.
   Dois dias depois dos acontecimentos previamente relatados, decidi-me a encontrar Élise - se é que ela de fato existia.
   Conforme a decisão tomada, viajei em direção ao local combinado.
   Ao chegar na encosta da montanha, havia bastante neve, e deparei-me com um rastro de sangue no chão que impulsivamente comecei a seguir, até que cheguei a um lugar um tanto oculto por uma grande camada de neve, e que parecia-se com uma caverna. Lá estava bastante escuro, mas resolvi arriscar: adentrei o local.

   Enxerguei dois olhos que sombriamente fitavam-me na escuridão; a entidade sobrenatural estava à minha espera..


by Vane


January 30, 2015

Vampire Heart - Capítulo I


Há alguns dias atrás decidi dedicar-me a escrever um conto, com a finalidade de treinar minha escrita e melhorá-la com o tempo. Hoje postarei aqui o primeiro capítulo (e pretendo escrever mais dois); a temática abordada, como já puderam perceber pelo título, é sobre vampiros. Espero que gostem :)


VAMPIRE HEART
Capítulo I | Capítulo II | Capítulo III


Hoping through the wonders of makeup and contacts I can do my eyes like this for Halloween. #creepy
   Cá estou eu novamente, a consumir as intermináveis horas de meu dia em meio a pensamentos lúgubres e envenenados por angústias passadas. A Eternidade se estende à minha frente, tal como se o Tempo houvesse se paralisado apenas para mim; através das últimas décadas de minha vil existência, comecei a ver o mundo e os seres humanos com outros olhos- e tal deturpada visão fizera-me desejar a Morte, tal era minha crescente repulsa que sentia por tais seres, e por tudo o mais que existia.

   Outrora desejava ardosamente que se desvanecessem para sempre todas as coisas deste mundo doentio, inclusive a mim, criatura da noite subjugada a viver eternamente em suas sombras, e desprovida de quaisquer sentimentos senão minha constante sede por sangue. Amaldiçoei tantas vezes tal destino, mas por fim acabara aceitando meu fardo. Há tempos já não sentira mais remorso em matar.. e este acontecimento que lhes narrarei descreve como me tornei o que sou hoje, um vampiro.


   Os fatos que ora lhes relato ocorreram em uma gélida noite de Inverno, há muitas luas atrás.




   Era início de dezembro, e os primeiros flocos de neve começavam a cair do céu. Estava descansando ao ar livre, no fim de uma tarde, próximo a uma conhecida catedral de Barcelona.
   Dedicava-me a contemplar uma série de pinturas de Francisco de Goya, denominada Los caprichos.
As horas corriam.. Quando dei por mim, a noite já encobria lentamente o dia, até findar toda a luz em seu manto escurecido. Estava a refazer o caminho de volta para casa, enquanto refletia sobre uma gravura de Goya cuja legenda havia me chamado a atenção: O sono da razão produz monstros
   Afinal, - indaguei - O que faz um homem perder a razão?

   Enquanto caminhava, estando absorto em meus pensamentos, em dado instante tive a sensação de estar sendo observado.

   Comecei a sentir-me desconfortável e a apressar meus passos; foi quando me deparei com um par de olhos brilhantes que me fitavam ao longe, em meio ao nevoeiro e ao breu da noite.
   Naquele breve momento, aqueles olhos, negros como furnas do inferno , pareciam ter visto através de minha alma; meu temor veio de maneira súbita, de modo que realmente me surpreendeu, pois eu nunca havia me sentido de tal forma antes: Um medo mortal se alastrou por todo o meu corpo.
   Tal pavor paralisou-me, de modo que não fui capaz de fugir, e realmente não sabia que forças ocultas haviam me impelido de escapar. Tentei gritar com todas as minhas forças, mas minha voz pareceu apenas um sussurro abafado em meio àquela escuridão desoladora.

   Com todas as forças que ainda me restavam, olhei novamente para a face de quem (ou daquilo) que havia me amedrontado em tal intensidade.

   Era uma mulher.
   Ela era belíssima, mas em seu semblante havia algo que era, sem dúvida, de natureza sobrenatural.

   - Não tema - ela disse-me, estendendo-me sua mão.


   Ainda temeroso, fui estendendo minha mão em sua direção de forma relutante.. antes ainda de tocá-la, recordo-me que tudo à minha volta foi se desvanecendo aos poucos, e eu observava meu próprio corpo ir sumindo conquanto ia dividindo-se em pequenas partículas que evaporaram. Eu gritara, e dessa vez meu grito fora bastante forte e audível..

   Quando recuperei minha consciência, estava deitado de bruços no chão. Naquele momento, tentei convencer-me de que aquilo que se passou na noite anterior fora apenas um sonho, mas o lugar onde ora me encontrava não deixava-me dúvidas sobre o que havia acontecido. Vi meu reflexo no chão completamente ensanguentado, e minha expressão converteu-se em absoluto terror.

   O sono da razão produz monstros.

   A citação de Goya veio à tona em minha mente, naquele instante. Seriam as visões que tivera parte da realidade, ou meros produtos de uma mente insana? Bem, agora já sabem a resposta.. meu pesadelo era dolorosamente real! Mal sabia eu o que estava por vir..

by Vane


E este é o primeiro capítulo.. deixem suas opiniões, críticas e sugestões :) Em breve postarei o próximo capítulo.
p.s.: O título do conto é inspirado na música homônima do HIM.
p.s. 2: Para quem quiser conferir a série de pinturas de Goya às quais fiz referência, clique aqui.


March 28, 2013

O Vampiro - Charles Baudelaire

O Vampiro

Tu que, como uma punhalada,
Entraste em meu coração triste;
Tu que, forte como manada
De demônios, louca surgiste,

Para no espírito humilhado 
Encontrar o leito e o ascendente;
- Infame a que eu estou atado 
Tal como o forçado à corrente, 

Como ao baralho o jogador, 
Como à garrafa o borrachão, 
Como os vermes a podridão, 
- Maldita sejas, como for! 

Implorei ao punhal veloz 
Que me concedesse a alforria, 
Disse após ao veneno atroz 
Que me amparasse a covardia. 

Ah! pobre! o veneno e o punhal 
Disseram-me de ar zombeteiro: 
"Ninguém te livrará afinal 
De teu maldito cativeiro. 

Ah! imbecil - de teu retiro 
Se te livrássemos um dia, 
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!

Charles Baudelaire


Vampire I, por Edvard Munch

August 30, 2012

Libera Me


"Deixe que eu seja aquele demônio, pensei. 
Liberte-me deste desejo vulgar e desta fraqueza. 
Leve-me de volta para as trevas, 
que é o meu lugar."

- "Crônicas Vampirescas", Anne Rice

Imagem de vampire, victoria frances, and gothic


"Crônicas Vampirescas" é uma série incrível de Anne Rice..
A citação acima é do livro "A História do Ladrão de Corpos".
Histórias de vampiros são sempre fascinantes!
Uma ótima semana a todos ^^"