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April 2, 2015

In my darkest dreams II

Meu doce amor, como poderia esquecer
De sua voz tão suave ressonando ao vento
Afastando-me das trevas e do desalento,
Tal como o sol anunciando um novo amanhecer?

Em ti, tal acalento pude encontrar,
Assim despertando de meus sonhos mais obscuros,
E afastando meus pesares taciturnos e escuros,
Os quais estavam minh'alma a desolar.

Tal como sonhos que se esvaem ao alvorecer da aurora,
Assim se desvaneceram minhas sombras de outrora;
Hei de os mistérios do Amor desvendar,

Isto que une nossos espíritos em plenitude,
Um sentimento tão belo, a mais tenra humana virtude
Que para uma verdadeira vida, faz-nos despertar.

by Vane

Imagem de flowers, dark, and grunge

 Esse poema é uma releitura do primeiro poema que publiquei aqui (em 2012), que leva o mesmo nome de meu blog, 'In my darkest dreams'.
 Bom feriado a todos! Abraços..   




March 15, 2015

O Espectro da Rosa - Théophile Gautier

O Espectro da Rosa

Levanta a tua pálpebra fechada
Tocada por um sonho virginal!
Eu sou o espectro de uma rosa
Que tu, no baile, usaste na noite passada.
Tu me colheste ainda com pérolas,
Do chuveiro de prata refrescada,
E entre a festa estrelada
Tu me passeaste toda a noite.

Ó tu que da minha morte foste a causa,

Sem que tu possas escapar,
Todas as noites o meu espectro se levantará
E à cabeceira da tua cama virá dançar.
Mas nada receeis, eu não reclamo
Nem missa nem De Profundis,
Esta fragrância é a minha alma
E eu venho do Paraíso.

O meu destino foi digno de inveja,

E para ter uma sorte tão bela
Muitos teriam dado a sua vida,
Porque sobre o teu seio eu tenho o meu Túmulo
E sobre o alabastro onde eu repouso,
Um poeta, com um beijo,
Escreveu: "Aqui jaz uma rosa,
Que todos os reis vão invejar: 

Théophile Gautier

Detail from a portrait of Marie-Joséphine-Louise de Savoie, comtesse de Provence after François-Hubert Drouais. 18th century.:
Retrato de Marie-Joséphine-Louise de Savoie (detalhe), por François-Hubert Drouais


Hoje posto aqui este belo poema de Théophile Gautier (poeta frencês do século XIX). 
A tradução é de Maria de Nazaré Fonseca.

Uma boa semana a todos!


January 22, 2014

Trevas - Lord Byron

Hoje postarei aqui o poema "Trevas" de Lord Byron, um de meus favoritos deste ilustre autor. A tradução é de Castro Alves.



TREVAS

Tive um sonho que em tudo não foi sonho!...
O sol brilhante se apagava: e os astros,
Do eterno espaço na penumbra escura,

Sem raios, e sem trilhos, vagueavam.
A terra fria balouçava cega
E tétrica no espaço ermo de lua.
A manhã ia, vinha... e regressava...
Mas não trazia o dia! Os homens pasmos
Esqueciam no horror dessas ruínas

Suas paixões: E as almas conglobadas
Gelavam-se num grito de egoísmo
Que demandava "luz". Junto às fogueiras
Abrigavam-se... e os tronos e os palácios,
Os palácios dos reis, o albergue e a choça
Ardiam por fanais. Tinham nas chamas

As cidades morrido. Em torno às brasas
Dos seus lares os homens se grupavam,
P'ra à vez extrema se fitarem juntos.
Feliz de quem vivia junto às lavas
Dos vulcões sob a tocha alcantilada!
Hórrida esp'rança acalentava o mundo!

As florestas ardiam!... de hora em hora
Caindo se apagavam; creditando,
Lascado o tronco desabava em cinzas.
E tudo... tudo as trevas envolviam.
As frontes ao clarão da luz doente
Tinham do inferno o aspecto... quando às vezes

As faíscas das chamas borrifavam-nas.
Uns, de bruços no chão, tapando os olhos
Choravam. Sobre as mãos cruzadas — outros —
Firmando a barba, desvairados riam.
Outros correndo à toa procuravam

O ardente pasto p'ra funéreas piras.
Inquietos, no esgar do desvario,
Os olhos levantavam p'ra o céu torvo,
Vasto sudário do universo — espectro —
E após em terra se atirando em raivas,
Rangendo os dentes, blásfemos, uivavam!

Lúgubre grito os pássaros selvagens
Soltavam, revoando espavoridos
Num voo tonto co'as inúteis asas!
As feras 'stavam mansas e medrosas!
As víboras rojando s'enroscavam
Pelos membros dos homens, sibilantes,

Mas sem veneno... a fome Ihes matavam!
E a guerra, que um momento s'extinguira,
De novo se fartava. Só com sangue
Comprava-se o alimento, e após à parte
Cada um se sentava taciturno,
P'ra fartar-se nas trevas infinitas!

Já não havia amor!... O mundo inteiro
Era um só pensamento, e o pensamento
Era a morte sem glória e sem detença!
O estertor da fome apascentava-se
Nas entranhas... Ossada ou carne pútrida
Ressupino, insepulto era o cadáver.

Mordiam-se entre si os moribundos:
Mesmo os cães se atiravam sobre os donos,
Todos exceto um só... que defendia
O cadáver do seu, contra os ataques
Dos pássaros, das feras e dos homens,
Até que a fome os extinguisse, ou fossem

Os dentes frouxos saciar algures!
Ele mesmo alimento não buscava...
Mas, gemendo num uivo longo e triste,
Morreu lambendo a mão, que inanimada
Já não podia lhe pagar o afeto.
Faminta a multidão morrera aos poucos.

Escaparam dous homens tão-somente
De uma grande cidade. E se odiavam...
Foi junto dos lições quase apagados
De um altar, sobre o qual se amontoaram
Sacros objetos p'ra um profano uso,
Que encontraram-se os dous... e, as cinzas mornas

Reunindo nas mãos frias de espectros,
De seus sopros exaustos ao bafejo
Uma chama irrisória produziram!...
Ao clarão que tremia sobre as cinzas
Olharam-se e morreram dando um grito.
Mesmo da própria hediondez morreram,

Desconhecendo aquele em cuja fronte
Traçara a fome o nome de Duende!
O mundo fez-se um vácuo. A terra esplêndida,
Populosa tornou-se numa massa
Sem estações, sem árvores, sem erva.

Sem verdura, sem homens e sem vida,
Caos de morte, inanimada argila!
Calaram-se o Oceano, o rio, os lagos!
Nada turbava a solidão profunda!
Os navios no mar apodreciam
Sem marujos! os mastros desabando

Dormiam sobre o abismo, sem que ao menos
Uma vaga na queda alevantassem,
Tinham morrido as vagas! e jaziam
As marés no seu túmulo... antes dela
A lua que as guiava era já morta!
No estagnado céu murchara o vento; 

Esvaíram-se as nuvens. E nas trevas
Era só trevas o universo inteiro.

Lord Byron






December 15, 2013

Um sonho.


Estou perdida em uma tempestade de neve.

A neve cai, e eu caminho cambaleando, 
os pés afundando em camadas daquela brancura infinita.
Grito por socorro, mas minha voz se perde em meio àquela imensidão branca.
E então faz-se silêncio.

Caio e fico ofegando na neve,
Com o lamento do vento soando em meus ouvidos.

Agora sou um fantasma, penso eu. Um fantasma sem pegadas.
Volto a gritar, com a esperança sumindo como a marca dos meus passos.

Minhas dores escapam de feridas invisíveis
E voltam como neve caindo.

A neve, esta congela meu espírito
Aprisionando-o naquele lugar onde no fundo eu sei que minha vida terminará,
E o que restar de mim irá se perder naquela brancura infinita.

Então desejo morrer
Ali mesmo, nos pálidos braços da neve,
E tornar-me uma sombra,
Um espírito sem nome...

...E sem lembranças.

Então avisto ao longe, se aproximando de mim, um vulto.
Algo que eu não sei ao certo se é real.

A estranha forma se materializa em minha frente,
E estende sua mão em minha direção.
Vejo profundas feridas cortando sua palma e o sangue escorrendo,
tingindo a neve.

Seguro sua mão.

De repente, a neve desaparece.

by Vane







August 29, 2013

Mistério - Florbela Espanca

Mistério

Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…

Talvez um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!

Florbela Espanca

Imagem de black and white, gif, and rain




August 17, 2013

Os Degraus - Mario Quintana

"Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros. 

Não subas aos sótãos - onde 
Os deuses, por trás das suas máscaras, 
Ocultam o próprio enigma.

Não desças, não subas, fica. 
O mistério está é na tua vida! 
E é um sonho louco este nosso mundo..."

- "Os degraus", Mario Quintana




Encontrei esse poema em uma das postagens de meu antigo blog.. tanto tempo se passou desde que eu o havia publicado lá, e essas palavras ainda me inspiram!..

Bom final de semana a todos. ^^"





August 8, 2013

Sangue - Parte 1


Quando finalmente despertei daquele estranho sonho,
o mesmo que por muitas noites me assombrara,
estava a afundar cada vez mais num abismo de loucura.
Minha mente doente e alquebrada,
me conduzia a um labirinto de pensamentos macabros
nos quais havia me perdido quase completamente;
eis onde me encontrava, na prisão da insanidade.

Embora não deva mais confiar em minha memória,
pois a loucura parece continuar a me corroer por dentro, a cada momento...
devo lhes contar como aconteceu.

Foi numa noite do último verão, se me recordo bem.

Em que a lua estava cheia, brilhando plena em meio à escuridão,
a iluminar o extenso caminho que se estendia à minha frente,
em meio ao intenso breu que envolvia a noite.

Em minha mente, tudo aquilo parecia tão irreal.
Tal como se estivesse vagando perdida num sonho meu,
Ou, mais possivelmente, num pesadelo.

E do qual eu já não sabia se conseguiria me libertar,
pois me tornara parte dele.
Primeiro, estava a vagar sem rumo
num lúgubre lugar que parecia ser um cemitério.
E então eu via as sombras.
Depois, o sangue pulsando. E jorrando, vermelho vivo.
Sim, lá haviam sombras com vida
Que vagavam pelo lugar,
e das quais eu fugia.

Estava tremendo, embora não estivesse tão frio;
e minha pele estava ainda mais pálida à luz do luar.
E havia sangue, muito sangue.
Em meus braços, em meu corpo gélido;
E as feridas abertas, não sabia como haviam surgido.

Aprisionada num de meus pesadelos mais sombrios,
eu era vítima de minha insana mente.

Eu gritava.

E ouvi em resposta somente
Vozes que me sussurravam que eu deveria fugir,
ou despertar?- não lembro ao certo.
Aquilo que se passava fora real,
Ou acontecera apenas em minha mente?
Tal incerteza me fazia suportar a dor,
Que, por sua vez, não sabia ao certo de onde vinha.
Haviam feridas, havia sangue,
Mas a dor que vinha de minha mente
Era ainda mais dolorosa.

Foi então que despertei,
e as lembranças da noite passada estavam
tão vivas em minha memória.
Tudo fora apenas um sonho ruim, pensei.
Mas parecera tão real!
Foi quando senti um calafrio ao ver que
as feridas em meu corpo,
- tal como havia visto em meu sonho -
estavam lá, e ainda sangravam.

Bem, e essa são as lembranças que tenho de
meu pesadelo de muitas e muitas noites.

Especialmente daquele verão.


by Vane


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February 4, 2013

Silêncio

"O resto é silêncio."
- William Shakespeare

Quantos gritos cabem no Silêncio?

O Silêncio, um gigantesco fantasma sem rosto, sem alma;
que estende seus braços sob os que dormem.
Caminha em meio às multidões, em meio à sua sombria jornada, sem destino.
E vaga à noite, estendendo sua imensa quietude... Abençoando aqueles que sonham, sob a melancólica luz do luar.

Tive um estranho sonho, em que
estava perdida num bosque enegrecido pelas sombras da noite;
e sob a pálida luz da lua cheia, eu ouvia o córrego.
E em meio ao Silêncio, ouvi sua voz chamar pelo meu nome...
A escuridão da noite, sempre perfumada de Silêncio.

E ele sempre estará lá.
Assombrando. Possuindo pela Eternidade aqueles que morrem.

E a Paz talvez lá habita, nas entranhas do Silêncio.
O Silêncio será o fim de tudo. Depois que todas as eras terminarem, e a Morte findar até a última partícula de Vida, apenas restará ele, o Silêncio. Eterno e soberano, reinando eternamente sob um mundo vazio, inexistente, de brancura infinita.

O Silêncio, o único capaz de expressar o inexpressível;
nele, escondem-se todas as palavras não ditas.
Talvez deveria haver mais Silêncio no mundo.

by Vane

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January 24, 2013

Eu - Florbela Espanca

Eu

Eu sou a que no mundo anda perdida, 
Eu sou a que na vida não tem norte, 
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte 
Sou a crucificada ... a dolorida ... 

Sombra de névoa ténue e esvaecida, 
E que o destino amargo, triste e forte, 
Impele brutalmente para a morte! 
Alma de luto sempre incompreendida! ... 

Sou aquela que passa e ninguém vê ... 
Sou a que chamam triste sem o ser ... 
Sou a que chora sem saber porquê ... 

Sou talvez a visão que Alguém sonhou, 
Alguém que veio ao mundo pra me ver 
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca

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January 20, 2013

The Ghost Story II


O poema a seguir é 'outra versão' de um poema que há tempos publiquei aqui em meu blog ("The Ghost Story"). ^^" 


The Ghost Story II

Sua alma repousava solitária
Sobre as ruínas abandonadas
Por onde outrora reinava a vida...

Parecia que por séculos teria vagado
Como uma sombra.
Ou talvez como uma memória
 Sem nome, sem cor, sem vida.
Onde havia deixado seu coração?
Lá apenas restava um ser vazio,
Ou talvez uma alma que se perdeu
Em sua própria Escuridão...
E não se reencontrou mais.
Cega pelas lágrimas,
Tornou-se incapaz de enxergar.

Despertou de um sono profundo, e sem lembranças;
E acordou naquele lugar frio,
Onde seu corpo jazia inerte, imóvel, sem vida.
E ela flutuava sobre ele! O que seria tudo isso?
Um sonho? Uma ilusão?...
- ela indagou, sem obter respostas.
Sua voz apenas ecoou
Em meio àquele fúnebre silêncio;
As dúvidas a assombravam, a consumiam.
O que era a Morte?

Talvez ela fosse apenas
Como uma velha amiga a lhe dar consolo,
E a secar as frias lágrimas
Que antes manchavam seu rosto pálido,
E entrecortado pela gélida ventania
Que lhe acariciava o rosto...
Mas já era incapaz de sentir o frio.

E assim, uma estranha Paz veio ao seu encontro,
Apesar das ilusões de outrora vida
Que ainda a assombravam;
Como fantasmas sem rosto,
Como lembranças que não lhe pertenciam.

Agora não passava de uma estranha sombra,
Apenas uma mera lembrança do que antes já fora,
Que vagava em meio à noite fria em solitária;
As vagas memórias de sua antiga vida,
O tempo se encarregaria de corroer.

Porém, continuou na árdua espera
 De que alguém a encontrasse
E a levasse consigo em seus braços;
Libertando-a dos meus medos,
E dos monstros que nela habitavam...
E que a despertasse com um sopro de vida.

E talvez ela apenas acordasse e percebesse
Que tudo aquilo fora apenas um sonho...

by Vane






October 22, 2012

Werewolf

Werewolf 

Em um sonho, eu era um lobisomem

Eu percorria sem rumo os caminhos escurecidos da floresta, 
em meio à escuridão da noite, 
e minha fome voraz de lobo me consumia cada vez mais.
Então iniciei a caça à minha presa.
 Somente a luz do luar me permitiu avistá-la,
 mas ela logo desapareceu entre as árvores enegrecidas pela noite. 
Comecei então a persegui-la. 

Quando a alcancei pude ouvir sua frágil respiração, 
e seu coração pulsando rapidamente em meio ao desespero.
 Era uma jovem garota, pálida sob a luz do luar, 
e consumida pelo medo da terrível criatura que avistara. 
O que fazia ela, sozinha naquela distante floresta, 
tão afastada dos outros humanos? 

Naquele instante, um silêncio mortal 
pairou em meio à escuridão. 
Então a pequena garota observou-me longamente, 
demonstrando um estranho fascínio pelo seu faminto caçador. 
O medo logo havia desaparecido de seu olhar, 
e ela caminhou em minha direção, destemida. 
Como se não temesse a morte que ali a confrontava, 
e que nunca esteve tão próxima de seu encontro.

Ou talvez ela desejasse o frio abraço da Morte. 

E não havia mais como fugir, 
pois lá estava eu, a mais temida criatura, 
a um passo de tirar sua vida. 
Mesmo que ela não o desejasse, seria o seu destino. 
Seria esse o seu fim? 

E foi naquela noite,
 que uma jovem que vagava só no mais profundo da floresta, 
satisfez minha fome voraz de Lobo,
 tornando-se minha mais nova presa. 
Mas foi então que tornei-me amaldiçoado pela noite.
 Uma criatura que, por não poupar a vida de uma frágil humana,
 estava condenada a pertencer para sempre às sombras.
 A permanecer lá, encarcerado sob a luz do luar, 
aprisionado em sua própria maldição. 
E a vida, a partir de hoje, 
seria como uma eterna noite de Lua Cheia. 

Mas este foi apenas um sonho que tive.

by Vane



September 22, 2012

Um Sonho Dentro De Um Sonho - Edgar Allan Poe

Hoje vou postar aqui outro poema de Edgar Allan Poe que eu gosto muito: "Um sonho dentro de um sonho". A tradução é de Leonardo Dias.



Um Sonho Dentro De Um Sonho


Tome este beijo sobre a têmpora
e, partindo de ti agora,
muito a dizer nesta franca hora 
Você não está errado, quem diria
que meus sonhos têm sido o dia;
Ainda se a esperança fosse um açoite
em um dia, ou numa noite,
numa visão, ou em ninguém
É isso então o que está aquém?
Tudo o que vejo, tudo o que suponho
É só um sonho dentro de um sonho.

As ondas quebram e fico ao meio
de uma praia atormentada
e eu seguro em minhas mãos
uns grãos de areia dourada -
Quão poucos! E como se vão
Pelos meus dedos para o nada,
enquanto eu choro, enquanto eu choro!
Ó Deus! Eu Vos imploro:
Não posso mantê-los em minha teia?
Ó Deus! Posso eu proteger
das duras ondas um grão de areia?
Será que tudo o que vejo e suponho
É só um sonho dentro de um sonho?

Edgar Allan Poe

Imagem de hands, black, and stars

August 19, 2012

Meu Sonho - Álvares de Azevedo

Meu Sonho

Eu,
Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sangüenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?

Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso.
E galopas do vale através.
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?

Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?.
Tu escutas. Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?

Cavaleiro, quem és? – que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?

O Fantasma
Sou o sonho da tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!

Álvares de Azevedo

Godspeed Fair Knight, by Edmund Blair Leighton:
Godspeed Fair Knight, por Edmund Blair Leighton

May 29, 2012

I had a dream...

 Na noite passada, eu tive um sonho que pareceu tão real.
 Em meu sonho, o Sol havia se apagado; e assim as Trevas consumiram todo o mundo, o tomando e possuindo por completo com sua escuridão. Nas profundezas da noite eterna, restaram apenas as estrelas, brilhando sombrias em seus halos. Talvez elas ainda estavam lá para conceder aos homens a esperança que um dia a Luz retornaria ao mundo.
 Mas era tarde demais; a noite já vencera o dia, nada mais restava. E este vazio possuiu os corações dos homens, e assim eles se tornaram parte da noite, pertencendo eternamente à ela.
 E foi assim que me tornei a Escuridão.
 Eu ainda dormia sob as estrelas, na esperança que suas réstias de Luz penetrassem em meu coração sombrio. E assim se foi, dia após dia, e com todas as minhas esperanças e meus sonhos já mortos em meu interior, eu me entreguei completamente à Escuridão, deixando-a envolver-me com seus braços enegrecidos, como se sempre houvesse pertencido à ela.
 No grande abismo que se tornara o mundo, a Escuridão em pouco tempo consumira também a Vida, e a Morte triunfava em sua silenciosa vitória sobre os restos do que outrora habitava o mundo.
 Bom, tudo fora apenas um sonho.  

by Vane