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April 18, 2015

A Dor não tem máscaras.

"Por trás da Alegria e do Riso, pode haver um temperamento vulgar, duro e insensível. Mas, por trás do Sofrimento, há sempre Sofrimento. Ao contrário do Prazer, a Dor não tem máscaras. A verdade na Arte não é uma correspondência entre a ideia essencial e a existência acidental; não é uma semelhança de forma e sombra, ou de forma espelhada no cristal à própria forma; não é um eco que vem de um campo vazio, tal como não é o poço de água prateada existente no vale que mostra a Lua à Lua e Narciso a Narciso. A Verdade na Arte é a unidade da coisa consigo mesma; o exterior tornado expressivo do interior; a alma encarnada; a união do corpo com o espírito. Por esta razão, não há verdade que se compare com o Sofrimento. Às vezes, o Sofrimento parece-me ser a única verdade. Outras coisas podem ser ilusões dos olhos ou do apetite, feitas para cegar um e saciar o outro, mas foi do Sofrimento que as palavras foram feitas, e há dor no nascimento de uma criança ou de uma estrela."

- Oscar Wilde, em De Profundis



Hoje compartilho novamente um fragmento de Oscar Wilde.. estava a ler De Profundis e achei este trecho muitíssimo inspirador. Tive que compartilhá-lo aqui!

Um bom fim de semana a todos. :)

April 2, 2015

In my darkest dreams II

Meu doce amor, como poderia esquecer
De sua voz tão suave ressonando ao vento
Afastando-me das trevas e do desalento,
Tal como o sol anunciando um novo amanhecer?

Em ti, tal acalento pude encontrar,
Assim despertando de meus sonhos mais obscuros,
E afastando meus pesares taciturnos e escuros,
Os quais estavam minh'alma a desolar.

Tal como sonhos que se esvaem ao alvorecer da aurora,
Assim se desvaneceram minhas sombras de outrora;
Hei de os mistérios do Amor desvendar,

Isto que une nossos espíritos em plenitude,
Um sentimento tão belo, a mais tenra humana virtude
Que para uma verdadeira vida, faz-nos despertar.

by Vane

Imagem de flowers, dark, and grunge

 Esse poema é uma releitura do primeiro poema que publiquei aqui (em 2012), que leva o mesmo nome de meu blog, 'In my darkest dreams'.
 Bom feriado a todos! Abraços..   




May 14, 2014

Desalento

"This is the life: too short to die, too hard to stay"
Theatres des Vampires


Estava perdida novamente nas ruínas daquele lugar onde jazia tudo que outrora amei..
Minha memória. Momentos felizes que vivi, mas também dores e angústia passadas;
a cada recordação, poderia ainda sentir cada sensação novamente.. nada é realmente esquecido.
Minhas lembranças pareciam ser como feridas abertas em meu interior,
que jamais cicatrizariam.

Era mais frio do que antes, ainda mais que o inverno passado;
o gélido vento enregelava meu corpo e espírito.

Pude perceber que havia deixado para trás tantos sonhos que,
 mais do que nunca, pareciam-me tão distantes!
Lamentei ter sufocado minhas esperanças no silêncio de uma vida eternamente breve,
na qual me continuavam a assombrar-me os remorsos e lamentos do passado.

Continuava a perseguir-me o pensamento que minha vida ia se esvaindo.
O tempo, por sua vez, passava obsoleto diante de meus olhos fatigados...
Encontrava-me em meio a estes pensamentos aflitos,
sentindo calafrios em meio a este mordaz desalento.

Parecia incapaz de encontrar a paz.
A realidade, descoberta de seu manto de ilusões,
nunca pareceu-me tão crua, tão tangível.
E essa era minha realidade, e a do mundo ao meu redor..
estaria toda a beleza da vida destinada a perder-se?

Não há maior sofrimento do que recordar a felicidade em tempos de angústia.


by Vane


Memento Mori


April 16, 2014

Adeus, Meus Sonhos! - Álvares de Azevedo

Adeus, Meus Sonhos!

Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E a tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!

Misérrimo! votei meus pobres dias

À sina douda de um amor sem fruto,
E minha alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.

Que me resta, meu Deus? morra comigo

A estrela de meus cândidos amores,
Já que não levo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!

Álvares de Azevedo

Imagem de dark and alone

February 16, 2014

Triste Lamento


O quão doce era aquele pôr do sol que precedia o anoitecer!
Era um espetáculo puro e silencioso entre a terra e o céu,
Que eu apreciava com melancolia:
tal como se fosse a última vez que o veria.
Mas nem mesmo tão morna e acolhedora luz
Poderia afastar as sombras que adoeciam meu coração...

Outro dia chegava ao fim.
Tristemente, lamentei o quão breve é a vida,
Para tantos caminhos ainda a percorrer
em meio a esta frágil existência...

Isto era o fardo que todos estão condenados 
a carregar em suas vidas, 
Ou o que eu via era nada mais que
meus sonhos sucumbidos pela dor de viver?

by Vane


Photos || via: tumblr







September 26, 2013

Desolação.


Lá estava eu, caminhando só,
pelas ruínas onde outrora vivia.
Nada mais me restara naquele lugar,
além de distantes lembranças
de tudo o que vivi,
a mancha de sua memória;
o veneno do amor,
 percorria minhas veias, a consumi-las.
Pois o amor, é o veneno da vida.
Ele seria minha salvação, e meu fim.
Sabia que lá mesmo,
como um sacrifício em seu nome,
eu morreria.

Seria esse meu destino?..
Viver eternamente em meio a essa desolação 
à qual a vida me aprisionara?

Caminhava sob os restos
de tudo que outrora já amei.
Todo o amor que havia em mim,
já não existia mais, era apenas uma vaga memória,
uma sombra aprisionada naquele lugar;
Aqui reencontrei-o, a doença,
O grande mártir de minha alma.

Aqui reencontrei o que restava de minha vida,
de meu espírito agora inconsolável.

Aqui jaz o néctar do espírito
No qual queria saciar minha sede, afogar a tristeza
E esquecer minhas gélidas lembranças
Que estão a entorpecer e consumir meu interior,
e me matando lentamente, dia após dia.

Já não sabia se ainda tinha uma alma,
Ou se esta também se perdera em meio à desolação;
Queria apenas reencontrá-la,
mas já não sabia se meus olhos, 
cegos de ilusões e marejados de lágrimas,
seriam capazes de ver novamente a vida
da mesma maneira que outrora viam.

Minha alma talvez descansa num lugar silencioso e frio, 
à espera de ser encontrada.

by Vane