Showing posts with label memórias. Show all posts
Showing posts with label memórias. Show all posts

February 17, 2016

Fleurs du Mal

Minh'alma silencia o alegre canto
Que outrora em mim esteve  tanto a soar;
Meu espírito ora cobre-se num manto
Das  reais belezas tua alma a ocultar.

Flores do mal em mim desabrocharam,
E nelas impregnada um vil perfume.
Teus ramos, cruelmente despertaram
E envolvem-me num gélido negrume..

Flores do mal que assombram meus caminhos
Sois memórias que já despertaram;
Ora estão a ferir-me teus espinhos,

Tal que figura minhas antigas dores
Que em meu espirito se alojaram,
Jardins de amaldiçoadas e reais flores?

by Vane




May 14, 2014

Desalento

"This is the life: too short to die, too hard to stay"
Theatres des Vampires


Estava perdida novamente nas ruínas daquele lugar onde jazia tudo que outrora amei..
Minha memória. Momentos felizes que vivi, mas também dores e angústia passadas;
a cada recordação, poderia ainda sentir cada sensação novamente.. nada é realmente esquecido.
Minhas lembranças pareciam ser como feridas abertas em meu interior,
que jamais cicatrizariam.

Era mais frio do que antes, ainda mais que o inverno passado;
o gélido vento enregelava meu corpo e espírito.

Pude perceber que havia deixado para trás tantos sonhos que,
 mais do que nunca, pareciam-me tão distantes!
Lamentei ter sufocado minhas esperanças no silêncio de uma vida eternamente breve,
na qual me continuavam a assombrar-me os remorsos e lamentos do passado.

Continuava a perseguir-me o pensamento que minha vida ia se esvaindo.
O tempo, por sua vez, passava obsoleto diante de meus olhos fatigados...
Encontrava-me em meio a estes pensamentos aflitos,
sentindo calafrios em meio a este mordaz desalento.

Parecia incapaz de encontrar a paz.
A realidade, descoberta de seu manto de ilusões,
nunca pareceu-me tão crua, tão tangível.
E essa era minha realidade, e a do mundo ao meu redor..
estaria toda a beleza da vida destinada a perder-se?

Não há maior sofrimento do que recordar a felicidade em tempos de angústia.


by Vane


Memento Mori


January 20, 2013

The Ghost Story II


O poema a seguir é 'outra versão' de um poema que há tempos publiquei aqui em meu blog ("The Ghost Story"). ^^" 


The Ghost Story II

Sua alma repousava solitária
Sobre as ruínas abandonadas
Por onde outrora reinava a vida...

Parecia que por séculos teria vagado
Como uma sombra.
Ou talvez como uma memória
 Sem nome, sem cor, sem vida.
Onde havia deixado seu coração?
Lá apenas restava um ser vazio,
Ou talvez uma alma que se perdeu
Em sua própria Escuridão...
E não se reencontrou mais.
Cega pelas lágrimas,
Tornou-se incapaz de enxergar.

Despertou de um sono profundo, e sem lembranças;
E acordou naquele lugar frio,
Onde seu corpo jazia inerte, imóvel, sem vida.
E ela flutuava sobre ele! O que seria tudo isso?
Um sonho? Uma ilusão?...
- ela indagou, sem obter respostas.
Sua voz apenas ecoou
Em meio àquele fúnebre silêncio;
As dúvidas a assombravam, a consumiam.
O que era a Morte?

Talvez ela fosse apenas
Como uma velha amiga a lhe dar consolo,
E a secar as frias lágrimas
Que antes manchavam seu rosto pálido,
E entrecortado pela gélida ventania
Que lhe acariciava o rosto...
Mas já era incapaz de sentir o frio.

E assim, uma estranha Paz veio ao seu encontro,
Apesar das ilusões de outrora vida
Que ainda a assombravam;
Como fantasmas sem rosto,
Como lembranças que não lhe pertenciam.

Agora não passava de uma estranha sombra,
Apenas uma mera lembrança do que antes já fora,
Que vagava em meio à noite fria em solitária;
As vagas memórias de sua antiga vida,
O tempo se encarregaria de corroer.

Porém, continuou na árdua espera
 De que alguém a encontrasse
E a levasse consigo em seus braços;
Libertando-a dos meus medos,
E dos monstros que nela habitavam...
E que a despertasse com um sopro de vida.

E talvez ela apenas acordasse e percebesse
Que tudo aquilo fora apenas um sonho...

by Vane






May 20, 2012

The Ghost Story

The Ghost Story
 
Era uma noite fria de inverno
Em que a escuridão tomava aquelas ruínas
E a lua aparecia pálida no céu
Iluminando meu caminho sombrio...

Eu era um fantasma
Que vagava nas sombras da noite
Remoendo as lembranças
De uma vida tão curta
Em que amei e vivi
Intensamente
Mas agora, meu corpo
Sem vida jazia no solo
E eu, sem rumo vagava
E escutava o vento,
Soprando entre as árvores,
Sussurrando suas tristes canções
E a fria garoa
Que enquanto caía
Contava histórias...
 
As sombras da noite
E as lembranças guardadas
No baú da minha Memória
Eram tudo que tinha, e nada mais
Então o grande relógio da torre
Marcou meia-noite
Era a hora de partir
Para um lugar bem distante dali
Longe daquelas árvores escurecidas
E daquele lugar sem vida
Cheio de ruínas
De lembranças passadas
E há muito tempo esquecidas...

Daquele dia em diante
Eu, por muitas vezes
Vaguei pelas sombras da noite
Lamentando minha vil existência
Longe de tudo que outrora já amei...
Me entreguei novamente à escuridão
Buscando nela consolo
E eternamente vivendo em suas entranhas,
Apenas na companhia
De minhas memórias
Que há muito vem assombrar-me
Noite após noite
Preenchendo o vazio que
Há em mim
Por toda a Eternidade.

by Vane