January 24, 2013

Eu - Florbela Espanca

Eu

Eu sou a que no mundo anda perdida, 
Eu sou a que na vida não tem norte, 
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte 
Sou a crucificada ... a dolorida ... 

Sombra de névoa ténue e esvaecida, 
E que o destino amargo, triste e forte, 
Impele brutalmente para a morte! 
Alma de luto sempre incompreendida! ... 

Sou aquela que passa e ninguém vê ... 
Sou a que chamam triste sem o ser ... 
Sou a que chora sem saber porquê ... 

Sou talvez a visão que Alguém sonhou, 
Alguém que veio ao mundo pra me ver 
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca

Imagem de mirror and black and white






January 20, 2013

The Ghost Story II


O poema a seguir é 'outra versão' de um poema que há tempos publiquei aqui em meu blog ("The Ghost Story"). ^^" 


The Ghost Story II

Sua alma repousava solitária
Sobre as ruínas abandonadas
Por onde outrora reinava a vida...

Parecia que por séculos teria vagado
Como uma sombra.
Ou talvez como uma memória
 Sem nome, sem cor, sem vida.
Onde havia deixado seu coração?
Lá apenas restava um ser vazio,
Ou talvez uma alma que se perdeu
Em sua própria Escuridão...
E não se reencontrou mais.
Cega pelas lágrimas,
Tornou-se incapaz de enxergar.

Despertou de um sono profundo, e sem lembranças;
E acordou naquele lugar frio,
Onde seu corpo jazia inerte, imóvel, sem vida.
E ela flutuava sobre ele! O que seria tudo isso?
Um sonho? Uma ilusão?...
- ela indagou, sem obter respostas.
Sua voz apenas ecoou
Em meio àquele fúnebre silêncio;
As dúvidas a assombravam, a consumiam.
O que era a Morte?

Talvez ela fosse apenas
Como uma velha amiga a lhe dar consolo,
E a secar as frias lágrimas
Que antes manchavam seu rosto pálido,
E entrecortado pela gélida ventania
Que lhe acariciava o rosto...
Mas já era incapaz de sentir o frio.

E assim, uma estranha Paz veio ao seu encontro,
Apesar das ilusões de outrora vida
Que ainda a assombravam;
Como fantasmas sem rosto,
Como lembranças que não lhe pertenciam.

Agora não passava de uma estranha sombra,
Apenas uma mera lembrança do que antes já fora,
Que vagava em meio à noite fria em solitária;
As vagas memórias de sua antiga vida,
O tempo se encarregaria de corroer.

Porém, continuou na árdua espera
 De que alguém a encontrasse
E a levasse consigo em seus braços;
Libertando-a dos meus medos,
E dos monstros que nela habitavam...
E que a despertasse com um sopro de vida.

E talvez ela apenas acordasse e percebesse
Que tudo aquilo fora apenas um sonho...

by Vane






January 5, 2013

Morte

"No final, 
a própria morte é descontente 
por nunca ter vivido. 
Existir para ceifar 
e nunca descansar de recolher, 
sem escolher almas retira sem pudor; 
no seu império da dor e de mãos calejadas, 
ela trabalha, com um sorriso amargo 
no canto dos pútridos lábios." 

- Rafael Mont' Vero, em Atos sobre a morte









January 3, 2013

Inspiração: Abigail Larson

 Hoje farei um post sobre trabalho de uma incrível ilustradora que descobri recentemente e gostei muito, principalmente pelos temas de suas ilustrações e pelo fato dela possuir certa similaridade com Victoria Francés: Abigail Larson.
 Abigail é uma ilustradora norte-americana; sua principal inspiração é a literatura, pois é visível em suas ilustrações a influência de autores como Lewis Carroll, Mary Shelley, H.P. Lovecraft, entre outros. Quanto ao estilo de suas ilustrações, Abigail possui como influência Arthur Rackham, que a inspirou a criar uma arte tradicional, como a do artista, completando-a com elementos mais modernos. O trabalho de Abigail foi destaque em muitas galerias nos Estados Unidos, como o Museum of American Illustrators, em Nova York, e o The Poe Museum, em Richmond.
 O que mais me chamou atenção ao ver suas ilustrações, é o fato de muitas delas fazerem referências a Edgar Allan Poe (um dos meus escritores favoritos^^"), e aos seus poemas, incluindo "O Corvo" e "Annabel Lee".




































Espero que tenham gostado :) Bjs